segunda-feira, junho 30, 2008
domingo, junho 29, 2008
Amizade

Olha meu Amigo, eu sei.
Mas perder a tua Amizade, dói.
Mas perder a tua Amizade, dói.
Se calhar tens razão, mas todos nós erramos.
Muitas vezes.
E outras tantas vezes vale a pena repensar.
Vale a pena perceber.
Vale a pena dar novas oportunidades.
Vale a pena reconciliar.
E assim se preserva a Amizade.
Porque na verdade todos nós erramos.
Muitas vezes por amor, outras por indiferença, algumas por incerteza.
Talvez o Tempo, na sua eterna sabedoria, te faça regressar.
"Quando a voz de um Amigo se cala, o nosso coração continua a ouvir o seu coração, porque na Amizade todos os desejos, ideais e esperanças, nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa."
sábado, junho 28, 2008
CastanholaS


Sempre tive uma fixação por castanholas. Não sei explicar porquê. Quando era miúda e ia passar férias à Beira Alta, à aldeia raiana do meu pai, havia um contrabandista que todas as semanas atravessava a fronteira a salto trazendo, mais ou menos a pedido dos habitantes da aldeia, toda a espécie de produtos alimentares e não só. Lembro-me de ter pedido à minha mãe para ele me trazer umas castanholas e lembro também o esforço inglório, diga-se de passagem, que fiz durante meses para tentar "castanholar". E com esse insucesso ficou por aí o meu interesse pelo flamenco, estilo musical fortemente influenciado pela cultura cigana.
Muitas "vidas" depois, numa viagem de trabalho, voltei a encontrar-me com as castanholas numas Cuevas em Madrid. Lembro-me de ter ficado na altura de certo modo impressionada pela voz rouca e expressiva da "cantadeira", que transmitia sentimentos fortes de desespero, luta e esperança.
Não me fascinou.
Resolvi ontem aceitar o convite de amigas e fui assistir ao "Tiempo Muerto", do intitulado "enfant terrible" do flamenco espanhol, Rafael Amargo, cujo vedetismo não me impressionou de nenhum modo especial.
Gostei da veterana "cantadeira" do grupo e das suas castanholas (o velho sonho) e também do sapateado protagonizado por duas das bailarinas.
Continuo a não me sentir fascinada.
terça-feira, junho 24, 2008
aMOr E sEXo
RITA LEE
Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão,
Sexo é pagão,
Amor é latifúndio
Sexo é invasão...
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é Carnaval.
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...
Amor sem sexo, é amizade
Sexo sem amor, é vontade
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois
Sexo vem dos outros, e vai embora
Amor vem de nós, e demora
Amor é isso,
Sexo é aquilo,
e coisa e tal...
e tal e coisa...
Ai o amor....
Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão,
Sexo é pagão,
Amor é latifúndio
Sexo é invasão...
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é Carnaval.
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...
Amor sem sexo, é amizade
Sexo sem amor, é vontade
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois
Sexo vem dos outros, e vai embora
Amor vem de nós, e demora
Amor é isso,
Sexo é aquilo,
e coisa e tal...
e tal e coisa...
Ai o amor....
segunda-feira, junho 23, 2008
domingo, junho 22, 2008
PAIXÃO
.jpg)
Não me deixes Paixão
Porque sem ti morro ao invés de viver
Porque só tu me fazes acordar a cantar
És tu que fazes meus olhos brilhar
Quem põe as folhas do choupo a dançar
Que me lembra que é bom sorrir
Não me deixes Paixão
Sem ti o mar deixa o seu encanto partir
Sem ti não há estrelas nem luar
Sem ti como dar esperança a quem já a perdeu
Como vou sorrir a quem já não sorri
Tu és a minha musa a minha inspiração
Ensinas-me o esquecimento e o perdão
Sem ti Paixão sou nada
Tu és arte és cor és aroma és coração
Viver sem ti é viver em vão
Não me deixes Paixão
Porque sem ti morro ao invés de viver
Porque só tu me fazes acordar a cantar
És tu que fazes meus olhos brilhar
Quem põe as folhas do choupo a dançar
Que me lembra que é bom sorrir
Não me deixes Paixão
Sem ti o mar deixa o seu encanto partir
Sem ti não há estrelas nem luar
Sem ti como dar esperança a quem já a perdeu
Como vou sorrir a quem já não sorri
Tu és a minha musa a minha inspiração
Ensinas-me o esquecimento e o perdão
Sem ti Paixão sou nada
Tu és arte és cor és aroma és coração
Viver sem ti é viver em vão
Não me deixes Paixão
sexta-feira, junho 20, 2008
quinta-feira, junho 19, 2008
Adorava Que Ganhassemos Este Jogo

Quando comecei a ver o jogo já os alemães tinham metido uma lá dentro. Estava a pôr o jantar ao lume, pimba, outro. !!!oh que desilusão. O Scolari está com cara de leite azedo. Vamos ver se os rapazes se esmeram e mostram o que valem...
Gooooooooooooooooooooolo
40 minutos - Nuno Gomes - e vai 1
Já é uma esperança mas...ainda falta um para igualar. Vamos ver como vai ser a 2ª parte...
87 minutos - Postiga - e vão 2
Vá la só mais um!!!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! BIG SHIT
.
Afinal ainda cá voltei. Vendo a coisa pelo lado positivo, ficaram-se pelos quartos, que segundo uma determinada óptica...são as melhores divisões da casa Loooool.
sexta-feira, junho 13, 2008
Horóscopo, Europeu e Geneve
Eu sei que aquela treta dos horóscopos que se publicam em tudo o que é jornal, revista ou planfleto publicitário não passa disso mesmo, uma treta, até porque no mesmo dia tanto podem vaticinar-nos que vamos ser ricos, como vamos ficar na maior das misérias, que vamos encontrar o príncipe encantado como iremos ficar para tias o resto da vida, mas a verdade é que, sem que ninguém confesse, é raro aquele ou aquela que não dá uma espreitadela.
Eu vou dando quando calha.
E às vezes, quando aparece alguma coisa que me convém, guardo-a como certeza, como naquele dia já há uns anitos atrás, em que para o meu signo vaticinavam "Todos os anos deverá visitar um local onde nunca tenha estado".
Dito e feito.
A partir daí, cumpro religiosamente esse mandamento, não vá acontecer-me alguma coisa de ruim, que por lapso de escrita tivesse falhado no dito horóscopo, caso não cumpra o predestinado.
Como a Patagónia vai tendo que esperar, cá vim até Geneve, em tempos de Europeu.
Tirando os simples factos de não se ver lixo no chão (se deitares a beatita pela janela fora e os "flics" toparem, fazem-te sair do carro para a apanhar), não se ouvir buzinas (senão levas com uma multa), ninguém ultrapassar os limites de velocidade (há tantos radares que isso se torna impossível sem receber o "bilhetinho" em casa), parecia que não tinha saído de Lisboa, tantas eram as janelas enfeitadas com bandeiras verde -rubras.
Embora Lisboa não tenha um lago imenso a quem abraçar, não esteja cercada de montanhas salpicadas de neve em finais de Primavera, nem seja tão verde que nos esquecemos que as as outras cores existem, não será esta cidade que me fará esquecer-te.
Para ti voltarei de boa vontade no próximo Domingo.
Eu vou dando quando calha.
E às vezes, quando aparece alguma coisa que me convém, guardo-a como certeza, como naquele dia já há uns anitos atrás, em que para o meu signo vaticinavam "Todos os anos deverá visitar um local onde nunca tenha estado".
Dito e feito.
A partir daí, cumpro religiosamente esse mandamento, não vá acontecer-me alguma coisa de ruim, que por lapso de escrita tivesse falhado no dito horóscopo, caso não cumpra o predestinado.
Como a Patagónia vai tendo que esperar, cá vim até Geneve, em tempos de Europeu.
Tirando os simples factos de não se ver lixo no chão (se deitares a beatita pela janela fora e os "flics" toparem, fazem-te sair do carro para a apanhar), não se ouvir buzinas (senão levas com uma multa), ninguém ultrapassar os limites de velocidade (há tantos radares que isso se torna impossível sem receber o "bilhetinho" em casa), parecia que não tinha saído de Lisboa, tantas eram as janelas enfeitadas com bandeiras verde -rubras.
Embora Lisboa não tenha um lago imenso a quem abraçar, não esteja cercada de montanhas salpicadas de neve em finais de Primavera, nem seja tão verde que nos esquecemos que as as outras cores existem, não será esta cidade que me fará esquecer-te.
Para ti voltarei de boa vontade no próximo Domingo.
quarta-feira, junho 11, 2008
A CRISE

O governo de José Sócrates deve estar neste momento a pôr velas aos santinhos da sua devoção, para que a nossa selecção ganhe à Republica Checa, este segundo jogo do europeu.
Se assim for o pessoal sempre fica um bocado anestesiado e talvez esqueça por algum tempo o preço dos combustíveis.
Com os portugueses a suar as estopinhas, à chapa de sol, em tudo o que é estação de serviço por esse país fora, a pensar que vem aí o fim-de-semana prolongado e não vão ter os pó-pós abastecidos para as voltinhas saloias, com as prateleiras dos supermercados a ficarem meio vazias, bem podem os senhores governantes pôr as barbas de molho e chegar a um acordo com a ANTRAM, e não só,de modo a desbloquear a paralização dos camionistas.
É bom que não esqueçam o buzinão na Ponte 25 de Abril, em Junho de 1994, e o que acabou por acontecer, à época, ao governo de Cavaco Silva .
PORTUGAL!!! PORTUGAL!!!!!
domingo, junho 08, 2008
gAL cOSTA
Eu sei que vou-te amar
Por toda a minha vida eu vou-te amar
E em cada despedida eu vou-te amar
Desesperadamente eu sei que vou-te amar
Ribeira d'Ilhas
sábado, junho 07, 2008
sexta-feira, junho 06, 2008
INSEGURANÇAS

Naquele exacto minuto, em que cada um de nós sai daquela banheirinha de água morna, onde vivemos nove meses, ouvindo o bater do coração de quem nos gerou...
Naquele primeiro minuto em que engolimos a primeira golfada de ar e nos sentimos envolvidos por um mundo hostil, barulhento, tremendamente luminoso...
Naquele primeiro minuto, começou a nossa insegurança.
E vai ser assim, dia após dia, para o resto das nossas vidas.
Insegurança no primeiro dia de infantário, em que nos forçam a largar a mão protectora, e nos deixam orfãos, agarrados ao ursinho de peluche.
Insegurança no primeiro dia de escola, insegurança quando, acabados de ser crianças, já temos que decidir qual o nosso projecto de vida.
Insegurança quando enfrentamos a primeira entrevista para o primeiro emprego.
Insegurança nas nossas capacidades que ainda não foram postas à prova.
Insegurança porque somos gordos, insegurança porque somos demasiado magros, insegurança porque temos namorado - e será que vai dar certo? - insegurança porque não temos - será que o erro é meu?
Insegurança porque estivemos doentes - será que estamos curados?
Naquele primeiro minuto em que engolimos a primeira golfada de ar e nos sentimos envolvidos por um mundo hostil, barulhento, tremendamente luminoso...
Naquele primeiro minuto, começou a nossa insegurança.
E vai ser assim, dia após dia, para o resto das nossas vidas.
Insegurança no primeiro dia de infantário, em que nos forçam a largar a mão protectora, e nos deixam orfãos, agarrados ao ursinho de peluche.
Insegurança no primeiro dia de escola, insegurança quando, acabados de ser crianças, já temos que decidir qual o nosso projecto de vida.
Insegurança quando enfrentamos a primeira entrevista para o primeiro emprego.
Insegurança nas nossas capacidades que ainda não foram postas à prova.
Insegurança porque somos gordos, insegurança porque somos demasiado magros, insegurança porque temos namorado - e será que vai dar certo? - insegurança porque não temos - será que o erro é meu?
Insegurança porque estivemos doentes - será que estamos curados?
Insegurança porque achamos que precisamos de alguém do nosso lado, para podermos ser alguém.
Mas com o tempo vamos percebendo que para sermos felizes com alguém, temos que concluir que não precisamos desse alguém.
Percebemos que dia a dia vamos vencendo um desafio e que o segredo é conhecermos os nossos limites.
Percebemos que a chave é nunca desistir de lutar.
Que é cobardia enterrar a cabeça na areia.
Que a chave é acreditar em nós próprios.
É acreditar que as nossas capacidades estão sempre além daquilo que os outros vêm em nós.
É acreditar que, se em algum momento da nossa vida alguma coisa correu mal iremos aceitar, perdoar e aprender com o nosso erro.
É acreditar que por muito inseguros que nos sintamos, haverá sempre alguém do nosso lado mais inseguro do que nós e que podemos esquecer-nos e ajudar esse alguém.
É acreditar que não faz mal sentirmos insegurança, e que é bom partilhá-la.
É acreditar que apenas existem duas coisas seguras na nossa vida: o nascimento e a morte.
Entre esses dois momentos passa-se a história da nossa vida, que será seguramente a que resultar das inseguranças que conseguirmos ultrapassar.
quinta-feira, junho 05, 2008
quarta-feira, junho 04, 2008
estados de Alma

hoje é quarta-feira, e o vento substituiu a brisa matinal e as folhas, já adultas, do choupo dançam enlouquecidas e empurram para dentro do quarto reflexos de luz e de azul do céu...
- Anda dançar, hoje é quarta-feira
mas o corpo estendido, quebrado pela insónia, não responde
e pela janela entreaberta entra o vento de rompante...
- Dança connosco, hoje é quarta-feira
e a voz sem sair do corpo,disse...
- Diz-me vento, como é que um corpo dança, quando a alma não consegue dançar
e a luz saiu, e atrás foi o azul do céu e por último partiu o vento sussurrando...
- Mas...hoje é quarta-feira
terça-feira, junho 03, 2008
TatuagenS

Não é muito vulgar encontrar cinquentões com brincos pendurados no nariz, argolas no umbigo ou bolas atravessando a lingua de lado a lado. Também não se vêm por aí cotas com cortes de cabelo tipo índio moicano, pintados com as cores do arco-iris.
Já no que se refere às tatuagens, a coisa muda de figura.
Quando chega o calor, e o pessoal começa a pôr o corpinho ao léu, não é raro verem-se, eles e elas, já entradotes, exibindo a sua tatuagenzita, mais ou menos discreta, em sítios estrategicamente escolhidos.
Confesso que ver corpinhos tatuados de alto a baixo, tipo maçon no topo da hierarquia, me causa um certo incómodo, mas uma tatuagenzinha, ali bem na zona lombar, não sei não...
Para quem não tem horror às agulhas....claro.
segunda-feira, junho 02, 2008
domingo, junho 01, 2008
Para o Álvaro Ruas
Vá-se lá saber porquê, hoje assaltaste o meu pensamento.
E vi novamente o teu rosto, sempre plácido e sorridente, vi o teu cabelo forte, grisalho, quase branco, a tua figura enorme e inconfundível e ouvi as tuas graçolas que conseguiam tornar comestíveis as intragáveis manhãs de segunda-feira.
Lá estavas sentado à secretária, naquela sala do 1º andar do velho Beco, soprando as asas que as formigas tinham deixado para trás durante a noite, e gracejando que para proteínas já chegavam as do galão e da sandes de fiambre, trazidas pelo César.
Vejo-te de lápis na mão, misturando os traços a que tão bem davas vida (a propósito de tudo e de quase nada), com ETA's e Deadweight's.
Tiveste a coragem, que muitos gostariam de ter tido, de trocar a segurança por um sonho. E transformaste esse sonho em telas.
E elas povoam as nossas casas, e tu continuas nelas, e assim vamos matando a saudade.
Até um dia Amigo.
E vi novamente o teu rosto, sempre plácido e sorridente, vi o teu cabelo forte, grisalho, quase branco, a tua figura enorme e inconfundível e ouvi as tuas graçolas que conseguiam tornar comestíveis as intragáveis manhãs de segunda-feira.
Lá estavas sentado à secretária, naquela sala do 1º andar do velho Beco, soprando as asas que as formigas tinham deixado para trás durante a noite, e gracejando que para proteínas já chegavam as do galão e da sandes de fiambre, trazidas pelo César.
Vejo-te de lápis na mão, misturando os traços a que tão bem davas vida (a propósito de tudo e de quase nada), com ETA's e Deadweight's.
Tiveste a coragem, que muitos gostariam de ter tido, de trocar a segurança por um sonho. E transformaste esse sonho em telas.
E elas povoam as nossas casas, e tu continuas nelas, e assim vamos matando a saudade.
Até um dia Amigo.
sábado, maio 31, 2008
ZombariaS
ANTÓNIO ALEIXO

Poeta Popular (1899-1949)
Forçam-me, mesmo velhote,
de vez em quando a beijar
a mão que brande o chicote,
que tanto me faz penar
Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então,
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são
Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço
O mundo só pode ser
melhor do que até aqui,
quando consigas fazer
mais p'los outros que por ti!
Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes
sexta-feira, maio 30, 2008
quinta-feira, maio 29, 2008
DERBY

Estádio Nacional - Meados da década de 50
Jogava-se naquele domingo mais uma final da Taça de Portugal, entre os rivais de sempre, Benfica-Sporting. Desde manhã cedo que se viam chegar magotes de pessoas, famílias inteiras carregadas de cestas atafulhadas de pastelinhos de bacalhau, tachos de arroz de tomate, embrulhados em papel de jornal para se manterem quentinhos, o indispensável garrafão de vinho e também, que não se faziam piqueniques todos os dias, um ou outro pão-de-ló que as avós faziam de véspera. A grande maioria tinha partido bem cedo da Praça do Comércio, e feito a viagem até à Cruz Quebrada no Eléctrico 15B, aberto de alto a baixo ,de bancos corridos, com estores às risquinhas, deixando entrar a brisa do rio e o calor dos primeiros raios de sol daquela manhã lindissima de Primavera.
Respirava-se um ar de festa nas matas do Estádio Nacional. A criançada aproveitava o dia inesperado ao ar livre para correr e subir às árvores, enquanto as mães estendiam as mantas, onde depois punham a toalha e os pratos de esmalte, gritando à pequenada que estava na hora de almoçar, que o jogo iria começar em breve, que os homens, ansiosos pela jogatana, já tinham abalado para encontrar o melhor lugar, mesmo à beira da ribanceira fronteira ao estádio, de onde esperavam poder assistir ao derby sem pagar bilhete, que de qualquer forma não poderiam pagar sem cortar no bife que já só comiam uma vez por festa, que os tempos à época eram difíceis.
Por esta altura, ainda a atmosfera era de bucólico sossego, embora lá para a frente alguns mais excitados já tivessem começado a envolver-se em despiques de vocabulário menos próprio para ouvidos mais sensíveis.
Em algumas das mantas que tinham servido de mesa, dormiam crianças esgotadas pela correria e pelo ar puro, enquanto mães e avós faziam renda conversando provavelmente sobre as coisas da vida.
Foi então que, de repente, estalou a confusão e o pânico, com a GNR a cavalo a investir contra o povoléu desprevenido que via o jogo à revelia, atravessando a mata a galope, distribuindo cacetada, as mães gritando pelas crianças e arrastando-as pela ribanceira abaixo enquanto os mais velhos puxavam as mantas onde se misturavam restos de arroz de tomate com pedaços de pão-de-ló, ao mesmo tempo que tentavam com os olhos encontrar o resto das famílias, com quem iriam regressar a casa, provavelmente discutindo, com as mulheres amaldiçoando a hora em que se tinham deixado levar pela conversa envenenada do passeio às matas do Estádio Nacional.
ImAgInE
....You may say I'm a dreamer....
E o que é a vida sem sonhos???
Obrigada ao anónimo pela memória.
E o que é a vida sem sonhos???
Obrigada ao anónimo pela memória.
quarta-feira, maio 28, 2008
HOLOCAUSTO
...Esta semana o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares, porque "ofendia" a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu...
Com o Irão, entre outros, a sustentar que "o Holocausto é um mito", torna-se imperativo lembrar o que disse o General Dwight D. Eisenhower (supremo comandante das Forças Aliadas), quando encontrou as vítimas dos campos de concentração nazis:
"Que se tenha o máximo de documentação- façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum momento ao longo da História, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu."
terça-feira, maio 27, 2008
sábado, maio 24, 2008
FoToS dE ViAgEm - IrLaNdA
Giant's Causeway
Irlanda do Norte
A absoluta e maravilhosa invulgaridade deste local e o primor de regularidade das suas colunas de basalto fizeram desta "Calçada do Gigante" tema de muitas lendas.
A minha preferida:O gigante Finn MacCool (chefe dos Fianna, grupo especial de tropas, que defendia a Irlanda de inimigos estrangeiros) construiu este caminho sobre o mar, para raptar a sua amada, que vivia na Ilha de Staffa, na Escócia, onde existem colunas idênticas.

Montanha Sagrada de St. Patrick
República da IrlandaEsta montanha de quartzito, brilhante em dias de sol, tem uma história de adoração pagã desde 3000 a.C.. Diz-se que em 441 d.C. St. Patrick (o santo nacional), passou 40 dias na montanha a jejuar e orar pelos Irlandeses.
Pelos vistos, valeu a pena. A Irlanda deixou-nos a cauda da Europa e vai de vento em popa.
Irlanda do Norte
A absoluta e maravilhosa invulgaridade deste local e o primor de regularidade das suas colunas de basalto fizeram desta "Calçada do Gigante" tema de muitas lendas.
A minha preferida:O gigante Finn MacCool (chefe dos Fianna, grupo especial de tropas, que defendia a Irlanda de inimigos estrangeiros) construiu este caminho sobre o mar, para raptar a sua amada, que vivia na Ilha de Staffa, na Escócia, onde existem colunas idênticas.
Montanha Sagrada de St. Patrick
República da IrlandaEsta montanha de quartzito, brilhante em dias de sol, tem uma história de adoração pagã desde 3000 a.C.. Diz-se que em 441 d.C. St. Patrick (o santo nacional), passou 40 dias na montanha a jejuar e orar pelos Irlandeses.
Pelos vistos, valeu a pena. A Irlanda deixou-nos a cauda da Europa e vai de vento em popa.
O Glorioso

Mesmo não sendo já sofredora nem espectadora assídua dos jogos do meu clube, ele será sempre o SLB do meu coração, e malgrado as "águas turvas" onde há muito tempo se move, "mordo" a quem diga mal dele.
Ouvi há pouco nas notícias a confirmação de que já tem novo treinador.
Quique Flores, jovem, "boa pinta" (que os olhos também gostam de apreciar), discreto nas suas promessas, gostei da sua frase: "Vamos trabalhar com a paciência necessária para conseguir o máximo".
Parafraseando uma amiga, "a paciência requer muita prática".
Vamos ter paciência e esperar que desta vez os ventos sejam favoráveis.
sexta-feira, maio 23, 2008
quarta-feira, maio 21, 2008
Para Um Bravo Que Também É Leal

Mãos
Com as mãos se faz a paz e com as mãos se faz a guerra.
As mesmas mãos que nos aguardam, que nos amparam ao nascer,
Mãos que protegem, que aconchegam ao peito
Mãos de mulher, de homem, de criança
Mãos que tocam, que envolvem, que confortam
Mãos que salvam
Mãos que forçam um coração a bater
Mãos que dão a vida
Mãos que tiram a vida, mãos que forçam a vida a parar
Mãos na nuca, procurando um abraço
Mãos quentes, que percorrem as veredas de um corpo fazendo-o estremecer
Mãos frias, vazias de esperança
Mãos de criança, brincando com a areia
Mãos de amigo, em hora de incerteza
Mãos pretas, brancas, amarelas
Mãos rugosas, curtidas pelo mar
Mãos calejadas de trabalhar a terra
Mãos de bébé, macias como pétalas de rosa
Mãos que forçam um sorriso, mãos que enxugam uma lágrima
Mãos de ontem, mãos de hoje
Vamos andar pela vida de mãos dadas, unir as nossas mãos, olhar para o céu
E sorrir...
segunda-feira, maio 19, 2008
LISBOA-Assim se Chama a Minha Cidade

Olisipo, assim a apelidaram quando nasceu de uma "citânia", localizada a norte do actual Castelo de S. Jorge, sítio encantado, deixado ali no alto da colina para que, como que suspensos nas suas muralhas, nos seja permitido enamorar por Lisboa.
Como é linda esta minha cidade, que vejo e revejo, sem nunca me cansar, há mais de meio século.
Quando a olho com olhos de menina, lembro-a a acordar com os seus pregões matinais: "Quem quer figos, quem quer almoçar", "Ó viva da costa", "Olhá fava rica".
Lembro as colchas nas janelas e as pétalas soltas pelo chão, em dias de procissão da Senhora da Saúde.
Lembro a Mãe dizer: Vai chover!, sempre que a flauta de cinco tubos, soprada pelo "amolador à porta", se fazia ouvir lá no alto do sexto andar do prédio pombalino, onde morávamos.
E lembro os cheiros, lembro o aroma das castanhas assadas "quentes e boas" apregoadas "é croa a dúzia", lembro o odor a maresia trazido pela brisa, como se o rio abraçasse o mar e os dois enlaçados nos entrassem pelas águas furtadas(furtadas a quem? perguntava quando explicavam que furtar era o mesmo que roubar), lembro a miscelânea de cheiros do Mercado da Ribeira, ora delicados e doces no jardim encantado das flores, ora fortes e a lembrar o mar, nas bancadas do peixe acabado de pescar. Lembro o cheiro a fruta madura, lembro as cerejinhas que a Dª Rosa sempre metia na minha mão pequenina para "entreter até chegar a casa".
Lembro ainda o "eléctrico operário", com bilhete de ida e volta a oito tostões, que me levava, já mocinha, ao Liceu Rainha Dª Leonor na Junqueira, sempre de alfinete na lapela (posto pela minha Avó), que servia para desencorajar os encostos dos mais atrevidos.
Lembro-te minha cidade.
Troquei-te há uns anos por um qualquer suburbio igual a tantos outros, mas voltei e espero ficar. Espero continuar a ver-te, todos os dias, até os meus olhos verem.
E continuar a amar-te.
AdOrO a MoDeStIa DeStE hOmEm
Palavras para quê? É treinador de futebol, português, de seu nome José Mourinho.
domingo, maio 18, 2008
Assim Dizia o Poeta

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Pra quê somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.
Vinicius de Morais
sábado, maio 17, 2008
sexta-feira, maio 16, 2008
Um Dia Aprendes
Texto retirado da Net
Depois de algum tempo tu aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E tu aprendes que amar não significa apoiares-te, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair no meio do vão. Aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo, e aprendes que não importa o quanto tu te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...e aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez enquando e tu precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longa distância, e o que importa não é o que tens na vida, mas quem tu tens na vida. E que bons amigos são família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu, podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas na vida são-te tomadas muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a ultima vez que as vemos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influências sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que levas muito tempo para te tornares na pessoa que queres ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que não importa aonde já chegaste, mas para onde estás a ir. Mas se tu não sabes para onde estás a ir qualquer lugar serve.
Aprendes que, ou tu controlas as tuas acções ou elas te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre dois lados.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprendes que a paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que tu esperas que te chute quando tu cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar.
Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste, e o que tu aprendeste com elas, do que com quantos aniversários já celebraste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que os sonhos são uma parvoíce, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel. Descobres que só porque alguém não te ama da forma que tu queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tu tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, planta o teu jardim, e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.
E tu aprendes que realmente podes suportar...
Que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe, mesmo depois de pensares que não podes mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!
As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder O bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de o tentar...
Depois de algum tempo tu aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E tu aprendes que amar não significa apoiares-te, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair no meio do vão. Aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo, e aprendes que não importa o quanto tu te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...e aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez enquando e tu precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longa distância, e o que importa não é o que tens na vida, mas quem tu tens na vida. E que bons amigos são família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu, podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas na vida são-te tomadas muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a ultima vez que as vemos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influências sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que levas muito tempo para te tornares na pessoa que queres ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que não importa aonde já chegaste, mas para onde estás a ir. Mas se tu não sabes para onde estás a ir qualquer lugar serve.
Aprendes que, ou tu controlas as tuas acções ou elas te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre dois lados.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprendes que a paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que tu esperas que te chute quando tu cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar.
Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste, e o que tu aprendeste com elas, do que com quantos aniversários já celebraste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que os sonhos são uma parvoíce, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel. Descobres que só porque alguém não te ama da forma que tu queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tu tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, planta o teu jardim, e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.
E tu aprendes que realmente podes suportar...
Que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe, mesmo depois de pensares que não podes mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!
As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder O bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de o tentar...
segunda-feira, maio 12, 2008
domingo, maio 11, 2008
CaRtA aO pAi NaTaL

Desculpa lá ó A Gata Christie, mas não resisti, portanto se não te importas pelo quase plágio, também me vou adiantar a mandar a cartinha ao Pai Natal, porque isto de pedir nunca é cedo demais. É assim velhinho das barbas, por mais que sue as estopinhas com os alongamentos, as corridas, as flexões, os abdominais e outros que tais, por mais "amassos" que faça (amassos é a expressão simpática da minha amiga Branca para as intermináveis sessões de massagens que eu adoro e que me custam os olhos da cara), por mais cremes, unguentos, espumas, no dizer dos publicitários infalíveis contra a famigerada "casca de laranja" (eu metia-os a todos na choça por publicidade enganosa), por mais que os amigos digam que não preciso de conserto, que estou muito bem assim (os amigos vêem-nos com olhos diferentes dos outros, dos que não são), a realidade é que isto não leva jeito.
Até nem te peço muito, era mais uma questão de troca, tirar o que está a mais e pôr o que tem a menos, estás a ver? Era mais ou menos o favor que fizeste à pequena da foto, tá?
Prometo que em paga trato das renas durante a próxima distribuição.
Deixo-te um beijo.
segunda-feira, maio 05, 2008
ReflexõeS
Porque será que em determinado momento, em duas situações aparentemente iguais, uma nos desagrada de imediato, o que nos leva a rejeitá-la, e a outra não?
E com o tempo, com avanços e recuos, vamos concluindo que foi a decisão acertada,que tinha sido uma perda se o sentimento não tivesse sido mais forte que a razão, se o tal do 6º sentido não tivesse funcionado.
E com o tempo, com avanços e recuos, vamos concluindo que foi a decisão acertada,que tinha sido uma perda se o sentimento não tivesse sido mais forte que a razão, se o tal do 6º sentido não tivesse funcionado.
Tenzin Gyatso - Monge e Lama Tibetano (14º Dalai Lama)
Andava há dias para passar para o "papel" algumas reflexões sobre o Tibete. Depois do tanto que li e ouvi, resolvi não o fazer.
Só que a notícia de hoje tirou-me mesmo do sério!!!
Então o Dalai Lama agora é um monstro criminoso?
Então digam lá senhores chineses, enumerem esses crimes monstruosos. Ou será crime quando ele diz: "Seria muito mais produtivo se as pessoas procurassem compreender os seus pretensos inimigos. Aprender a perdoar é muito mais proveitoso do que simplesmente tomar de uma pedra e arremessá-la contra o objecto da ira. Quanto maior a provocação maior a vantagem do perdão. É quando padeceres os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si e aos outros."
Fui ouvir este homem, em 15 de Setembro de 2007, quando esteve em Lisboa.
O que senti então foi que estava perante um homem bom, um ser humano a falar de paz e concórdia com outros seres humanos.
Será que apelar à caridade com um sorriso nos lábios, à compaixão, à fraternidade, à igualdade, é crime?
Não me parece.
PS: Monstro criminoso é o septuagenário austríaco, Joseph Fritzel, que manteve a filha, Elizabeth, presa numa cave durante 24 anos. Violou-a sistematicamente. Elisabeth foi mãe por sete vezes. Sou contra tirar a vida, e seria piedoso demais. Castração química. Acabar de vez, com a "energia dos seus impulsos sexuais", e deixá-lo vivo.
Para lembrar.
Só que a notícia de hoje tirou-me mesmo do sério!!!
Então o Dalai Lama agora é um monstro criminoso?
Então digam lá senhores chineses, enumerem esses crimes monstruosos. Ou será crime quando ele diz: "Seria muito mais produtivo se as pessoas procurassem compreender os seus pretensos inimigos. Aprender a perdoar é muito mais proveitoso do que simplesmente tomar de uma pedra e arremessá-la contra o objecto da ira. Quanto maior a provocação maior a vantagem do perdão. É quando padeceres os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si e aos outros."
Fui ouvir este homem, em 15 de Setembro de 2007, quando esteve em Lisboa.
O que senti então foi que estava perante um homem bom, um ser humano a falar de paz e concórdia com outros seres humanos.
Será que apelar à caridade com um sorriso nos lábios, à compaixão, à fraternidade, à igualdade, é crime?
Não me parece.
PS: Monstro criminoso é o septuagenário austríaco, Joseph Fritzel, que manteve a filha, Elizabeth, presa numa cave durante 24 anos. Violou-a sistematicamente. Elisabeth foi mãe por sete vezes. Sou contra tirar a vida, e seria piedoso demais. Castração química. Acabar de vez, com a "energia dos seus impulsos sexuais", e deixá-lo vivo.
Para lembrar.
sábado, maio 03, 2008
ReflexõeS
.
"...O desejo de ter mais não tem fim.
Quando inflamos esse sentimento não aproveitamos o que já temos - e acabamos ficando sem nada..."
"...O desejo de ter mais não tem fim.
Quando inflamos esse sentimento não aproveitamos o que já temos - e acabamos ficando sem nada..."
sexta-feira, maio 02, 2008
quarta-feira, abril 30, 2008
Pedi Um Poema Emprestado
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu não te dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu não te dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca - Os versos que te fiz
segunda-feira, abril 28, 2008
oS mEUS aMIGOS


O gato chamava-se Pom-Pom, parecia isso mesmo, quando muito pequenino entrou na nossa casa e nas nossas vidas. Adoptou-me como mãe e mamava na manga da minha camisola de angorá. Esperou pela nossa visita no hospital veterinário de S.Bento, onde estava desde a véspera, para se despedir, olhando para cada um de nós, e partiu. Há 5 anos.
O cão pequenote é o Gipsy. Rafeiro de raça e feitio. Como há ano e meio que vivemos os dois, acho que tem a mania que é pessoa. É esperto, mas muito absorvente, quer ser o centro das atenções. E rosna.
O grande é o Pisco. É meigo, obediente, inteligente. Tem uma força incrível. Tinha uma habilidade enorme para atirar comigo ao chão, quando o levava a passear. Não pude trazê-lo comigo. Tenho muitas saudades tuas, meu amigo dos olhos doces.
1974 AbriL 25

Escrever é como tantas outras coisas boas da vida, deve fazer-se quando apetece, quando para isso estamos inspirados, e não porque é oportuno ou há um tempinho livre.
Foi por isso que na sexta 25 nada escrevi. Por isso e também porque andei parte do dia embalada pelas canções do Zeca passadas e repassadas num qualquer leitor de CD's da vizinhança.
Não sou muito de reviver o passado, mas há datas que estão para além disso, porque são marcos na história dum país, na nossa propria história. E foi assim, que em conversa com alguém acabado de conhecer, se disse: "Que pena já ninguém lembrar, a entrada na escola , um portão para os meninos, outro para as meninas, corredores que nunca se cruzavam, pátios onde não se brincava junto. E os livros que não se liam, os filmes que não se viam, as conversas que não se tinham...".
Num dia de Janeiro do ano de 1969, vi partir no cais de Alcântara o navio Niassa, com destino a Moçambique, levando nele o meu irmão juntamente com as lágrimas da minha mãe e de tantas outras mães. Regressou, vivo, inteiro...ao contrário de tantos outros.
A Liberdade só se valoriza verdadeiramente quando se perde.
Era uma vez um pais
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira mar
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o pão arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
...
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade
....
"As portas que Abril abriu" -José Carlos Ary dos Santos"
sábado, abril 26, 2008
MomentoS

Olhar o mar do alto da falésia e inventar um pôr-do-sol, levando consigo molhos de nuvens pintadas com cores por descobrir....
Ouvir palavras soltas, quase sussurradas, do presente e do passado - és especial - não dei pelo tempo passar....
Guardar momentos no cofre encastrado no meu coração, junto com outros presentes, coisas impossíveis de esquecer, horas, minutos, que não cabem em tempo algum.
segunda-feira, abril 21, 2008
O homem não se enxergA
Senhor engenheiro ministro das Finanças da 5ª repartição, 4º bairro, Chelas, Zona K, Excelência
Zé Carlos e Soraia Vanessa vêm por este meio bufar junto de Vossa Excelência os gastos que fizeram anteontem derivado ao matrimónio que contrairam aqui ao lado, naquela igreja prefabricada que tem a cruz fluorescente em roxo, não sei se está a ver, é aquilo que parece a oficina do Chinas, mas em branco e sem pneus pendurados. Prontos.
Então é assim, tivemos que dar uma data de dinheiro ao senhor padre, mas ele não passou recibo, pelo que achamos que é de prendê-lo e mandar vir outro. Ao resisto com cervatória, o civil, sem ser pela igreja, esse também pagámos bué, mas esses Vossa Excelência já deve tar a mancar e sobre olho, derivado a serem da família, salvo seja, de Vossa Excelência.
Passamos então ao chamado vestido de noiva, o qual foi oferecido por uma senhora chamada Dona Clara que criou a minha esposa desde pequena, isto agora sou eu a escrever, o Zé Carlos, porque a Soraia foi à bica à Dona São, derivado a que a mãe dela teve de ir bulir para Barcelona e deve ter-se casado por lá, mas ninguém tem a certeza derivado ao que não podemos portanto, bufar junto de Vossa Excelência quanto é que custou o casório dela, se é que se casou mesmo, senão bufávamos e Vossa Excelência até era homem para nos fazer um desconto no IRS que eu sei que você era.
Zé Carlos e Soraia Vanessa vêm por este meio bufar junto de Vossa Excelência os gastos que fizeram anteontem derivado ao matrimónio que contrairam aqui ao lado, naquela igreja prefabricada que tem a cruz fluorescente em roxo, não sei se está a ver, é aquilo que parece a oficina do Chinas, mas em branco e sem pneus pendurados. Prontos.
Então é assim, tivemos que dar uma data de dinheiro ao senhor padre, mas ele não passou recibo, pelo que achamos que é de prendê-lo e mandar vir outro. Ao resisto com cervatória, o civil, sem ser pela igreja, esse também pagámos bué, mas esses Vossa Excelência já deve tar a mancar e sobre olho, derivado a serem da família, salvo seja, de Vossa Excelência.
Passamos então ao chamado vestido de noiva, o qual foi oferecido por uma senhora chamada Dona Clara que criou a minha esposa desde pequena, isto agora sou eu a escrever, o Zé Carlos, porque a Soraia foi à bica à Dona São, derivado a que a mãe dela teve de ir bulir para Barcelona e deve ter-se casado por lá, mas ninguém tem a certeza derivado ao que não podemos portanto, bufar junto de Vossa Excelência quanto é que custou o casório dela, se é que se casou mesmo, senão bufávamos e Vossa Excelência até era homem para nos fazer um desconto no IRS que eu sei que você era.
sexta-feira, abril 18, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
Claro Que É

Há já algum tempo que uma pessoa do meu círculo familiar, quando se despede, em vez das tretas do costume estilo "tudo a correr bem", "muita saúde e dinheiro prós gastos", "prazer em ver-te", diz simplesmente: "Diverte-te".
Divertir: desabituar, fazer esquecer, afastar-se, distrair, folgar, recrear-se
Claro que é isso mesmo que faz falta nas nossas vidas.
Claro que ao invés do choradinho pelo que já passou e não tem remédio, temos mais é que esquecer e aceitar o que vier.
Claro que é urgente afastar as dúvidas se as nossas opções são erradas, quando o coração nos diz que estão certas.
Claro que é imprescindível folgar das preocupações e chatices do dia a dia e aproveitar os momentos felizes, os pequenos nadas, o amar, o ser amado.
Viver, é nossa obrigação.
Viver aproveitando ao máximo aquilo que a vida tem de bom, é nossa opção.
a solidão das mulheres divorciadas

"Aos fins-de semana quando não saio com a minha prima Bé fico em casa a ver televisão. Ver televisão quer dizer regar as plantas da marquise, ler o horóscopo nas revistas, desfazer o tricô do domingo anterior, mudar de canal de 20 em 20 segundos e pensar em matar-me.
O problema é que assim que me levanto para tomar os lexotans todos de uma vez a minha mãe telefona de Alcobaça a saber como estou, ouço-lhe os gritos no atendedor de chamadas (a minha mãe que tem um medo danado dos telefones sempre falou aos gritos) e como não é possível a gente suicidar-se e conversar com a mãe ao mesmo tempo, desisto das pastilhas e garanto-lhe que estou óptima, não tenho febre, fumo no máximo três cigarros por dia,como bem, não emagreci (-de certeza que não emagreceste?
para a semana visito-a em Alcobaça sem falta e qualquer dia, palavra, encontro um rapaz como deve ser
(-Não acredito que não haja um rapaz como deve ser no teu emprego filha)
torno-me a casar, desligo o telefone com um tal cansaço e uma tal dor de cabeça que a única coisa que tenho vontade é de um aspegic e silêncio, deixei de ter ganas de me suicidar visto que uma pessoa não consegue matar-se se estiver mal disposta.
Nos fins-de-semana em que saio com a minha prima Bé vamos à Loja das Meias e à Escada sonhar com blazers de caxemira (-Pode ser que com o subsídio de Natal lá chegue) e casacos compridos, chateamo-nos como peruas nos filmes que os jornais gostam, encontramo-nos num bar com colegas da escola dela que descobriram na semana passada um restaurante em Alcântara e já me sucedeu acordar aos domingos de manhã num apartamento de Campo de Ourique ou do Beato ao lado de professores de Matemática com iogurtes fora de prazo no congelador, um chinelo esquecido no bidé e um cinzeiro de folha a transbordar beatas no soalho, junto de uma chávena de café quebrada.
Incapaz de tomar banho num chuveiro em que faltam o sabonete e a água para além de se achar ocupado por um montão de jornais velhos, volto a toque de caixa para o Lumiar sem me despedir do barbudo que ressona de queixo na almofada (-Não acredito que a Bé não conheça um rapaz como deve ser) com um ombro fora do pijama descosido e adormeço até que os gritos de Alcobaça me acordam, de coração aos pulos, para inquirirem no atendedor de chamadas se não tenho abusado dos fritos.
Não abuso dos fritos, não abuso do tabaco, não abuso do álcool, não abuso do sexo, não abuso de nada mãe: oiço crescer o pêlo da alcatifa, mudo de 20 em 20 segundos a televisão de canal e leio o meu horóscopo na penúltima página dos magazines femininos a seguir ao caderno da moda e a um artigo que explica como um cinto de ligas e uns sapatos vermelhos poderiam mudar a minha vida afectiva. Com um cinto de ligas os iogurtes fora de prazo desapareceriam do congelador? Com sapatos vermelhos encontraria chuveiros sem jornais? O meu horoscopo......prevê para quarta-feira um encontro inesperado que me alterará para sempre a existência. Quarta feira foi ontem e o encontro inesperado que tive consistiu em esbarrar com o meu ex-marido no metropolitano: deixou crescer o bigode, vinha acompanhado por uma mulata com metade da idade dele e nem sequer me viu. Ter-me-à visto alguma vez?
Em todos os canais de televisão passam novelas brasileiras.Oiço a chuva de Outono contra os vidros e o casal do andar de cima a gemer ao ritmo da cama. Se me levantar para tomar os lexotans todos a minha mãe vai desatar aos gritos no atendedor de chamadas, de maneira que o melhor é ficar quietinha no sofá a olhar as plantas e o retrato do meu sobrinho bébé sem pensar no suicídio. Para quê?
Durante seis meses poupo nos almoços (uma bica, um croissant e um pastel de bacalhau) comidos em pé ali no centro, compro o blazer da Escada e uns sapatos vermelhos, a colega que vende ouro no escritório prometeu baixar-me as prestações do anel e passo o serão sozinha, de blazer, sapatos e cachucho, lindíssima, a mudar de canal e a ouvir o pêlo da alcatifa a crescer."
-António Lobo Antunes, Livro de Crónicas
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segunda-feira, abril 14, 2008
DA JanELa Do mEu qUArto.....
domingo, abril 13, 2008


TOMA LÁ QUE É PARA NÃO SERES VAIDOSA!
Acordei hoje de manhã com a desagradável sensação de ter qualquer coisa estranha num olho, que não estava lá na véspera. Como se não chegasse, ao tentar abrir o dito cujo, constatei que estava remelosa!!!! Coisa horrorosa... mesmo com os dois a funcionar em pleno, as coisas de manhã estão sempre turvas, imaginem so com um....um desastre.
Lá me amanhei conforme pude e depois de descolar aquela peganhice amarelada, deparei com quê? Imaginem que tinha um hordeólo. Como se não chegasse ser uma chatice do caraças ainda lhe põem um nome tipo insecto pré-histórico.
Mas que raio, que coisa mais parva, como é que isto me foi acontecer? De repente fez-se luz no meu cérebro, que entretanto ja estava a sair do estado de entorpecimento matinal. Claro! como é que não pensei nisto antes?
Foi ela!!!! A mulherzinha que estava na mesa ao lado, acompanhada do maridinho, no restaurante em Entre-Campos, onde fui almoçar porque tinha uma consulta ali perto.
Eu bem que estranhei os olhares que ela me deitava, mas no estado de graça em que me encontrava, nem liguei. Só quando o empregado (coitado, deve ter estado nalguma ilha deserta ou a precisar de mudar de lentes), se quedou embasbacado entre a minha mesa e a do dito cujo casal, com a travessa do bitoque na mão, acordei e achei que havia qualquer coisa de estranho.
Acho que ainda não tinha acabado de balbuciar "mas eu não pedi nenhum bitoque", quando o homem disparou: "a senhora desculpe a minha franqueza...mas tem uns olhos lindos..."
Devo ter ficado com aquele ar aparvalhado, de boca aberta como um peixe fora de água, sem saber se havia de dizer uma parvoeira qualquer, ou simplesmente arvorar um sorriso idiota, quando, subitamente , reparo que a travessa contendo a fritalhada se tinha inclinado perigosamente e que a molhaça gordurenta do repasto destinado à dama, se esparramava na manga do casaco do maridinho da dita cuja.
Foi então que senti o olhar que ela me lançou, com aquele seu olho avermelhado, qual Ciclope enraivecido. Pronto, estou feita, pensando na praga "treçolho, treçolho, passa para aquele olho".
E eu que tinha ficado tão vaidosa. Há séculos que ninguém me dizia que tinha os olhos bonitos!!!!
P.S.: Não acredito em bruxas, mas que as há, há. Por via das dúvidas lá fui buscar o alho (receita da avozinha) e dei uma esfrega no Hordeolo. Assim, talvez evite ter que passar a praga ao gajo do parque de estacionamento que passa a vida a passar-me bilhetinhos quando me atraso no cabeleireiro.
sábado, abril 12, 2008
QUERIA

Queria poder dar-te tudo... o mundo
Mas tudo o que posso dar-te... é nada
Não fora a minha alma desvairada
Ter-me levado a erro tão profundo
.
Não sei se irei ainda encontrar norte
Neste caminho tão cheio de saudade
Tão cheio de mentira... e de verdade
Não há alma que seja assim tão forte
.
Mas logo a tua voz me vem trazer
A esperança de não estar assim errada
Dar... sem esperar nada... pode ser
.E tal qual tarde cheia de quimera
De verdes, de azuis, de tempo ausente
Assim minh'alma sabe o que soubera
.
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