quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Beijar? É proibido!

"Contra todas as emoções, os burocratas que gerem a estação de comboios de Warrington, no Noroeste de Inglaterra, proibiram oa passageiros de se beijar. Alegam que o cais é pequeno e muito movimentado e que não há espaço para o romance. ""Se as pessoas quiserem despedir-se dos seus amados, devem estacionar no parque da largada de passageiros"", aconselhou um robótico porta-voz da Virgin Rail".

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Asas


Entraste na minha vida mansamente
hábil, sarcástico, desconcertante,
com um encanto triste e sedutor
invadiste o meu corpo, a minha mente.

Com sons de palavras já usadas
sem por isso perderem seu fulgor,
envolveste meus espaços solitários
nessa teia, nesse jogo, sem pudor.

E com asas de azul de mar pintadas
fazendo-me esquecer mitos, barreiras,
confronto-me, pergunto: e se eu puder,
e surgiram então desassossegos
chuvas de penas brancas endoidadas
e tremeu todo o meu corpo de mulher.

E quando já é hora de partir
e desvias o olhar pra não me ver
apenas com as tuas mãos vestida,
percebo a tristeza nos teus olhos
e sinto-me fraca, tonta, enternecida,
e quero-te então, porque te quero.
.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Procura-se Um Amante

"Muitas pessoas têm um amante, e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm e as que tinham e perderam. Geralmente são estas últimas que vêm ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insónia, apatia, pessimismo, crises de choro, ou as mais diversas dores.
Elas contam-me que as suas vidas correm de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar o tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente a perder a esperança. Antes de me contarem tudo isto, já tinham estado noutros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão"... além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim, depois de as ouvir atentamente, eu digo-lhes que elas não precisam de nenhum anti-depressivo. Digo-lhes que o que elas precisam é de um Amante. É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem o meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa destas?!" Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais. Às que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico-lhes o seguinte: Amante é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de adormecermos e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso Amante é o que nos mantém distraídos do que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso Amante no nosso parceiro, outras vezes, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no desporto, no trabalho, na necessidade de nos transcendermos espiritualmente, numa boa refeição, no estudo, ou no prazer obsessivo do nosso passatempo preferido...
Enfim, Amante é ""alguém ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir vivendo". E o que é "ir vivendo"?
"Ir vivendo" é ter medo de viver. É vigiar a forma como os outros vivem, é o deixarmo-nos dominar pela pressão, andar por consultórios médicos, tomar remédio multicoloridos, afastarmo-nos do que é gratificante, observar decepcionados cada ruga nova que o espelho nos mostra, é aborrecermo-nos com o calor ou com o frio, com a humidade, com o sol ou com a chuva. "Ir vivendo" é adiar a possibilidade de viver o hoje, fingindo contentarmo-nos com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contentem com "ir vivendo". Procurem um Amante, sejam também um Amante e um protagonista da vossa vida...
Acreditem que o trágico não é morrer, porque afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, e sem mais delongas, procurem um Amante.
A Psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
"Para se estar satisfeito, activo, e sentirem-se jovens e felizes, é preciso namorar a vida."
Texto: Dr. Jorge Bucay
Livro: "Hay que buscarse un Amante"

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Arief-atxeS

Bastam às vezes pequenos grandes nadas para transformar um dia num Dia Especial.
Palavras e sons tantas vezes ouvidos, que de repente são nossos, se colam à nossa pele, porque se tornam em palavras e sons reinventados só para nós.
Momentos que nos enchem o coração, que nos põem nos lábios sorrisos de ternura, que nos fazem sentir um bocadinho especiais.
Porque sentimos que alguém pensa em nós, antes de pensar em si próprio, que nos enche, nos preenche, que nos fala nos silêncios, que nos acompanha nas saudades e nas ausências.

...o DepoiS

terça-feira, fevereiro 03, 2009

HORA NÃO... hora sim

SOME TIMES LIFE STINKS!!!!!!!
But tomorrow is always another day.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

SEXTA-FEIRA

A cabeça do pessoal é um bocado esquisita! Quando se anda a bulir, a aturar o chato do chefe cinco dias por semana, a treta das filas de trânsito e todas as cenas que se lhe seguem, anseia-se por este mágico dia: Sexta-Feira! Fim de semana pela frente. Claro que a maior parte das vezes esse oásis é apenas uma miragem. Substitui-se o chefe pelo marido, as filas de trânsito pelas do supermercado e ainda sobram aquelas tretas chatérrimas das limpezas, das comidinhas, dos trapos para lavar, dos trabalhos de casa da criançada.
E assim vai-se adiando o projecto da noite livre para abanar, beber um copo, ir ao cinema, ou simplesmente convidar uns amigos para cavaquear e ver aquele DVD especial.
Até que um dia acontece! Algo inesperadamente, uma manhã, acabou-se o chefe, o despertador, os TPC, que os filhos já estão noutra , e uma outra manhã até o casamento que entretanto rebentara pelas costuras.
É então que todos os dias são sextas, sábados, domingos. Todos os dias são mágicos. Reinventa-se uma nova vida, descobrem-se euforicamente mil e uma maneiras de ocupar aquela farturaça de dias, horas, minutos e segundos.
Até que um dia PLOF. Acaba-se a magia, instalam-se novas rotinas e a famosa Sexta volta a ganhar estatuto de dia especial... mas pela negativa.
Porque entretanto os amigos já arrumaram as botas, querem é pantufas e sofá, aquele tal amigo especial não há maneira de aparecer, não se vai beber um copo ou abanar sòzinha sem parecer que se vai pró engate, e até mesmo ir chupar um filmezito da treta sem ter com quem trocar meia-dúzia de comentários fatelas no final, se torna uma seca descomunal.
Assim, por tudo isto, solicita-se seja decretado, com entrada imediata em vigor, que a Sexta-Feira seja abolida da soma dos dias.
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P.S. - Agradece-se ao sr. ministro que sejam excluídas as Sexta 13. Com um bocado de azar pode ser que esbarre com o carro do supermercado nos calcanhares dum qualquer jeitoso e disponível, leva-se o pequeno às urgências e naquelas, pelo menos, seis horas de espera... quem sabe...
.
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quinta-feira, janeiro 15, 2009

quarta-feira, janeiro 14, 2009

frankie goes...

YOU DON'T LOVE ME
YES I DO

segunda-feira, janeiro 12, 2009

MemóriaS

Por serem públicas estas páginas não permitem que delas constem os pecados da nossa indiscrição. Não permitem que aqui despejemos tudo o que nos passa pela cabeça, pela memória. A memória, essa neblina frágil, onde as recordações se cruzam, se esfumam, se alteram.
Na contagem final dos nossos dias, apenas vivemos aquilo que conseguimos lembrar...
Que perca ter-se perdido o hábito de escrever. O telefone seria para o que não valesse a pena registar. O resto, o que vale verdadeiramente a pena lembrar, deveria ser escrito. Dia a dia... meia dúzia de palavras de uma hora feliz do nosso melhor amigo... outra meia dúzia com aquela receita que a mãe inventou... mais algumas sobre aquele dia em que nos enterrámos na neve pela primeira vez...
Descrever, escrevendo. Uma novidade, uma pequena emoção, um encontro ou um reencontro. Um diário imenso de todas as vidas que existem dentro duma só vida.
E chegaria então o dia em que, na confusão da nossa senilidade, leríamos. E pareceria tudo novo.
E viveríamos duas vezes.
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segunda-feira, janeiro 05, 2009

Another day in Paradise

Que preguiça para escrever... vou dando música a mim mesma.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Bob marleY

...e neste ano novo dancei....

quarta-feira, dezembro 31, 2008

2009

Blá, blá, blá, é uma treta, é um dia como outro qualquer... dizem os que não querem mostrar que sentem.
Porque, lá bem no fundinho, todos desejam.
Desejam não estar sós.
Desejam estar com quem amam.
Desejam vir a ser amados.
Desejam vir a ter alguém a quem amar.
Desejam beijar e ser beijados, abraçar e ser abraçados.
Desejam saúde, boas energias, trabalho, uma casa para viver.
Desejam ser lembrados.
Desejam tão só uma mensagenzita no telemóvel.
Eu desejo.
E desejo por todos os que também desejam e especialmente por aqueles que não querem desejar.
Lembrem, cada dia, todos os dias, como é bom viver e esperar.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois, somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rasto de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos despojados, mas entremos.
De mãos dadas, talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão Ferreira




domingo, dezembro 21, 2008

sábado, dezembro 20, 2008

Quem o feio ama...

É a beleza um facto objectivo que se pode medir? Ou tão só uma opinião?
O que é o belo? O que é o feio?
Conceitos subjectivos, pois dependem de quem olha, para quem se olha, de como se olha.
Dependem igualmente do que se valoriza.
Se o que importa é a sedução imediata pelas aparências esteticamente perfeitas ou a crescente atracção pelo pormenor perfeito que se descobre no conjunto imperfeito.
Um azul pintado no olhar. O brincar com as palavras. A ternura emaranhada em sarcasmo. O dar antes de receber.
Ou não passarão estes pormenores, citando Cesário Verde, da poetização do real que graças à imaginação transfiguradora, transpõe uma realidade numa outra, para fugir àquela que o faz sofrer?


quinta-feira, dezembro 18, 2008

a SapatadA




Pena não ter sido chinelada. Chinelo tem um estatuto menor. Tal como o alvo. Só não concordo com aquela do cão. Mil vezes o meu rosnadeiro. Esse ao menos conhece o dono. Fá-lo por ciúme versus amor.
.
P.S. - Digam lá se a boquinha ao lado do Nuri não se parece com um sorrisinho?

sábado, dezembro 13, 2008

sábado, novembro 29, 2008

AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, novembro 27, 2008

Valsinha

...Então ela se fez bonita...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Dire Straits

Aos gostos musicais idênticos

terça-feira, novembro 11, 2008

Seduções



No teu poema existe um verso

Em branco e sem medida

Um corpo que respiro num céu aberto

Janela debruçada para a vida



Obrigada ao Fritz

MagnoliA

Ela começou a gostar de se chamar a si mesma Magnólia.

Tinha-se habituado a usar o seu nome. O que lhe deram à nascença, sem possibilidade de escolha. Sem nunca verdadeiramente o interiorizar.

Tudo começou pelo aroma. Sempre que entrava naquela casa, que não era a sua, logo se sentia envolvida por ele. Primeiro de uma forma subtil, inconsciente. Mais tarde tão dentro de si que a levou a perguntar. Magnólia: era a essência. Extraída das taças, que assim parecem ser, as grandes flores brancas, perfumadas, que brotam dos ramos das enormes e robustas árvores milenares , das quais tomou o nome.

Magnólia sempre fora impetuosa. Tão impetuosa que nascera sòzinha. Bem que a mãe lhe pedira: -Espera um pouco, deixa que chegue quem te ajude a nascer. Mas ela decidira. Chegara o momento e irrompeu para a vida. Não fora o calor do corpo de onde saira aconchegá-la, até chegar quem cortasse o cordão que a alimentara e fizera crescer , e este teria sido provavelmente o seu primeiro e último impulso.

Magnólia nasceu bem juntinho do solstício de Verão. Prenúncio de dias longos, alegres,ensolarados. Regida por Mercúrio teve um despertar precoce. E desde cedo se mostrou possuidora de grande vivacidade mental e verbal e de uma intuição psicológica que lhe iria dar aquela facilidade em adaptar-se a novas situações. E também causar-lhe alguns dissabores.

Magnólia cresceu e com ela cresceu a afectividade. E também o inconformismo. Era uma fonte de vida, entusiasmo, de curiosidade e de sedução. Sujeita a arrebatamentos, a grandes entusiasmos e paixões. Cedo porém Magnólia concluiu que as realidades são quase sempre diferentes dos sonhos. Descobriria também, a par com as derrotas, que a vida deixa de o ser, sem afectos, sem paixões, sem dor, sem alegria, sem sorrisos, sem ternuras.

E fez partir. E partiu. À descoberta. Porque "O mundo é um espelho. Se sorrires para ele, ele sorrirá para ti."

quinta-feira, novembro 06, 2008

Do Amor

Ficou escrito ficou falado ficou contado
ficou até mesmo combinado
não mais nos vermos
não mais nós sermos
inclusivé não termos qualquer contacto

Isso é passado é existência
é o que faz a experiência

E a palavra Nunca
que Nunca acontece
perto de nós desaparece
e até permanece abandonada

Talvez por isso ela seja ou é
Tão pouco utilizada

Resta-me que teremos sempre
momentos nossos embaraços meus
abraços nossos
quiçá até embaraços teus?
e um também possível
encontro de ossos

E quando eu crio assim espontâneo
vem-me à demência um grito insano

Da alegria que é sentir
d'o quanto te quero
d'o quanto te gosto

E apenas sofro quando só lembro
porque razão não me concedes
dizer com força mas carinhoso
dizer apenas

O quanto te Amo

De: IZNOGOOD

quarta-feira, novembro 05, 2008

It's Time Obama





Em 28 de Agosto de 1963, na marcha não-violenta organizada em prol da Vida, da Liberdade e contra toda a espécie de Racismo, Martin Luther King, Jr., finalizou o seu discurso dizendo "I have a dream".

Parte do seu sonho de então é a realidade de hoje. Mas é ainda tão longo o caminho a percorrer.

E tu Barack Hussein Obama II? Do you also have a dream?

Veremos onde os teus sonhos te levam.
And if "You Can".
.

terça-feira, novembro 04, 2008

METADE



Oswaldo Montenegro

quinta-feira, outubro 30, 2008

A Espera




Entre quatro paredes densas, protectoras,
em noites povoadas de sonhos não lembrados
há esperanças de alvoradas promissoras,
de dias perfumados com aromas de esperança,
de vozes sussurrando poemas de amor inacabados.

E sem pousar no chão os pés me levam
às planícies imensas de areais dourados,
ao vai-vem eterno de ondas pregueadas,
na garupa sedosa de Pégasos encantados,

na espera de um dia próximo encontrar
nos desertos deste mundo enganador,
a recompensa tão esperada da verdade,

e com ela resguardada no meu peito, viver,
sem prazo, sem tempo, o que o tempo me ofertar.

.

segunda-feira, outubro 27, 2008

sábado, outubro 25, 2008

E Ela dançou

Acordou-a o violino da Sarah Chang tocando Air de Bach. Abriu os olhos e a melodia continuou a rodeá-la, a pairar em seu redor.
Os saltos de alegria do seu inseparável amigo, fizeram-na despertar. E só então percebeu o silêncio que a envolvia. Percebeu que era dentro de si que a música se fazia.
Levantou-se de um salto, cheia de mágicas energias renovadas, de juventudes trazidas pelo ar, que nessa manhã gloriosa, banhada por um sol morno de outono, invadiam o seu ser.
E dançou.
Olhou em redor e todas as coisas à sua volta tinham ganho vida, novas melodias, novos significados.
E ela agradeceu.
Agradeceu a vida, o querer viver, o poder amar.
.

quarta-feira, outubro 22, 2008

A MentirA


Mente-se, porquê?
Sermos educados em ambiente católico, habitua-nos desde sempre a ouvir: - Mentir é pecado.
Pecado. Sinónimo de ida directa para o Inferno, a menos que haja arrependimento e vontade de não prevaricar.
Felizmente que a par dessa educação intimidatória, tinha-se também aquela outra que se adquiria pelo exemplo e pela palavra daqueles que nos deram vida e amor, que nos ajudaram a crescer e nos prepararam para a vida.
Hoje, com um bocado de sorte, ensina-se que mentir é feio. Raramente se explicam os motivos dessa fealdade.
Porque pode prejudicar, porque pode ser cruel, porque é concerteza desleal.
A mentira banalizou-se. É praticada com tanta frequência e com tanto à-vontade que perdeu completamente o sentido de coisa errada.
Mente-se descaradamente, esfarrapadamente, mente-se por que dá jeito, mente-se porque se tornou um hábito, mente-se por insegurança, por auto-defesa, mente-se a maior parte das vezes para conseguir obter aquilo que não seria possível alcançar sem mentir.
A mentira pode tornar-se numa dependência. Saber que se está a mentir e não conseguir controlar essa necessidade, porque muitas vezes se acabou por perder a noção do que é real e do que se arquitectou na mentira. Daquilo que se é na realidade, para passar a ser aquilo que se fantasiou ser.
Quando se mente compulsivamente perde-se por completo a saúde mental. Vai-se criando uma teia, cada vez mais intrincada, que acabará por se tornar num caminho sem saída.
Diz o povo que "a mentira tem pernas curtas" que "se apanha mais depressa um mentiroso que um coxo".
E isto porquê? Porque afinal não é assim tão difícil para cada um de nós ser um detector de mentiras.
Como para quase tudo, é uma questão de prática, da leitura atenta de pequenos sinais, que acabam por se tornar repetitivos.
Uma expressão do rosto, uma alteração do tom de voz, uma manifestação deslocada de nervosismo, um desvio do olhar, uma necessidade exagerada de justificar uma frase ou uma atitude.
Claro que depois há os profissionais. Os especialistas na arte da camuflagem. Em relação a esses o melhor é rezar para não lhes cairmos nas malhas.
Mas se acontecer, não desesperemos. É só esperar que a mentira não tenha feito muitos estragos. E que a verdade chegue!

P.S. - Aqui só para nós, às vezes uma mentirinha, daquelas que não prejudicam ninguém, até que sabe bem, não é?

domingo, outubro 19, 2008

Amor



Na luz ténue, irreal, da madrugada
queria poder dizer-te,
não vás.
Queria que sentisses,
que soubesses.
Queria ser o mar, a falésia,
a quem abraças com o teu olhar.
E nesse abraço
Esperar.
Queria ser as pedras, as conchas,
com quem te perdes no tempo,
e nesse tempo
Ficar.
Tempo sem tempo
que tudo sabe,
até aquilo que não sei.
Que tudo ensina a perceber.

E eu.
Que só sei
o que hoje penso.
Que um dia irás.
E nesse tempo sem tempo
ficará a saudade,

a ternura,
tudo o que ficou para trás.
Ficará o Amor que não se esquece .
E aquilo que te dei ,
e que será sempre teu.

sábado, outubro 18, 2008

quinta-feira, outubro 16, 2008

O Mundo Está de Tanga?



Pois é.
Revi ontem à noite aquele filme com o Mel Gibson - "Conspiracy Theory". O homem vivia numa paranoia total, vendo conspirações em tudo e em todos.
Seria? Paranoia?
E digo isto porquê?
Por causa da crise na aldeia global, claro!!! Esta absolutamente inqualificável porra de crise, salvo seja, está a destrambelhar completamente o sistema nervoso ao pessoal e o que é pior a encarquilhar completamente a nossa já tão minguada bolsa.
Mas o pior mesmo é a simultaneidade.
Queres estar informado? Queres auscultar se os tostanitos da reforma, por enquanto depositados no banco, não correm perigo de se esfumarem?
Não tens outra hipótese!
Tens que chupar com a fronha do Jorge!
Queres ter uma vaguíssima ideia se a seguradora se vai aguentar à bronca, "segurando" os tostanitos do PPR?
Chupas com o Jorge! Ele é Jorge, Jorge, Jorge ao pequeno almoço, almoço e jantar. De tanto se cruzarem, a crise com o Jorge e o Jorge com a crise, fizeram curto circuito dentro da minha caixa craneana.
E se for?
Como é que esta droga de conjuntura se agudizou? - Com a escalada alucinante do preço do "ouro negro".
Será que a dita teve alguma coisa a ver com a chamada "Ocupação do Iraque"?
Eh pá, pensa lá. Quem é que deu a cara à coisa? O Jorge, claro.
Nah!!!!! Aquela amostra de cérebro não tinha estaleca para tanto. Será que a ajuda do Toni, do Silvio e do Zé Maria foi determinante?
Também não me parece.
Hum, isto deve ser coisa dos gajos do "Clube dos Poderosos".
Mas isso é porreiro. Se for assim estamos safos. Temos lá o Zé Manel a prestar vassalagem.
Agora por Zé Manel. Quem é que disse: "Indiscutivelmente o pior primeiro ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa".
Raio de memória. Bem, pode ser que, enquanto passo a roupita a ferro, me lembre.
Pensa na cara, naqueles oculinhos de massa preta. Voilà: foi o Henrique Alfredo de braço dado com os Fellowrocks.
Bem me queria parecer que não valia a pena estarmos muito preocupados. Isto está tudo feito.
Pelo meio das veredas sinuosas destas crises são sempre os mesmos que se safam . Os outros que se lixem.
Afinal até dá jeito haver por aí uns países à beira da bancarrota. Lá terão que pedir umas coroas ao FMI e livrá-lo da falência anunciada.

Eh pá! Não volto a ver filmes de conspirações antes de ir para a cama. Fico com alucinações.




domingo, outubro 12, 2008

well....


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quarta-feira, outubro 08, 2008

Transmissão de Vozes à Distância




Era uma telefonia a válvulas.
Um quase luxo para a época. Quando ainda não nos entrava o mundo em imagens pela casa dentro.
Telefunken, era a marca.
As telefonias eram, nos anos 60, fonte de distracção e prazer para as mulheres , donas de casa e mães a tempo inteiro, devido à moda emergente dos folhetins radiofónicos.
O velhinho TIDE - "Tide-lava mais branco" - patrocinava "A filha da coxinha" um dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada, nas vozes que ainda relembro e cujos nomes já esqueci.
Quantas vezes estas mulheres sacrificadas, absolutamente fascinadas pelos dramas de outras mulheres - abandonadas com filhos de tenra idade, ou de raparigas orfãs que acabavam por casar com mancebos loiros de pele leitosa, vivendo à custa dos progenitores e sonhando com as fortunas que iriam herdar depois destes se passarem para o Além -, levavam tareias monumentais dos maridos quando chegados a casa, ciosos de horas certas para a comezaina, deparavam com o lume apagado e olhos lacrimejantes.
Esta telefonia já é apenas memória. Não consegui encontrar o rasto do seu destino.
O mesmo não aconteceu com a BrAun, que fui encontrar em casa dum amigo recente. Linda, orgulhosa do seu som ainda límpido e da sua história, continua a transmitir vozes à distância.

Coisas do Tempo.

segunda-feira, outubro 06, 2008

domingo, outubro 05, 2008

Fuga



Voltei a rasgar a terra.
E ela, generosamente submissa, aceitou a raiva, a frustração
E a sua intemporalidade a sua imutabilidade a submergir a dor.
E o querer engolir os próprios enganos
E os vómitos explosivos, de mentiras pútridas
Porque a verdade do amor é como a terra.
E à água que generosamente lhe dei juntei o meu sal
E nele a saudade, a dor das ausências do porvir.
E chamei a voz.
E ela veio, distante, envolta em cenário de mar.
E inicia-se a viagem para além do desespero à procura da esperança.


quinta-feira, outubro 02, 2008

The Italian Who Went to Malta

(Must be read with an Italian accent)

One day ima gonna Malta to bigga hotel. Ina morning I go down to eat breakfast. I tella waitress I wanna two pissis toast. She brings me only one piss. I tella her I want two piss. She say go to the toilet. I say you no understand. I wanna to piss onna my plate. She say you better no piss onna plate, you sonna ma bitch. I don't even know the lady and she call me sonna ma bitch.

Later I go to eat at the bigga restaurant. The waitress brings me a spoon and knife but no fock. I tella her I wanna fock. She tell me everyone wanna fock. I tell her you no understand. I wanna fock on the table. She say you better not fock on the table, you sonna ma bitch.

So I go back to my room inna hotel and there is no shits onna my bed. Call the manager and tella him I wanna shit. He tell me to go to toilet. I say you no understand. I wanna shit on my bed. He say you better not shit onna bed, you sonna ma bitch.

I go to the checkout and the man at the desk say: "Peace on you". I say piss on you too, you sonna ma bitch. I gonna back to Italy.
.
P.S. - Dito pelo Rui era absolutamente hilariante. Aos velhos tempos.

domingo, setembro 28, 2008

Para ti, palavras de antes e de hoje

Também o tempo.
E o mar invadindo a praia. Saltando sobre a falésia. Namorando descaradamente a noite.
Claro que te desejei.
No fim.
E a floresta que o meu desejo construiu existe num estranho e longínquo país sem grandes ambições mas com árvores-de-mar em todos os jardins.
E estou cheia de ti.
E interrogo-me sobre a razão desta invasão. E percorro todos os caminhos por nós habitados numa fracção de noite. Atrevo-me mesmo em todos os fascínios. Ignoro todas as tabuadas que nos deram. Aos costumes digo merda sem ambiguidades.
Assim o mundo.
A continuação dos dias nevoeiro nesta vila meridional. O saber de ti como pão para a boca. E a invasão do medo. O despertar de sentimentos há muito esquecidos na minha quotidiana permanência.
E só agora reparo como tudo é estranho.
É uma paisagem de animais marinhos petrificados no meio de todos os naufrágios sob um sol ardente de desejo.
É a pedra que queria remover.
É o ter-te e não saber-te muito embora todas as cidades estejam abertas ao amor.
É o inventar de palavras novas. O perceber de todas as conversas. O esquecimento de mim. Dos outros. O nascer da água em todos os oásis do meu corpo.
E por isso quero agora um tempo sem dividendos.
Assim a noite, o silêncio aberto pela tua ausência ou pelas verdades que me deixas.
Assim o estar sòzinha como uma Deusa e como uma Deusa reconstruir-te enquanto o mar permanece no fundo da minha história.
Assim todas as vitórias e derrotas rebentando agora na minha memória de mulher-animal adulto.
E são mais as derrotas. As ausências. Apesar do sorriso. Da poesia rasgando a indiferença.
As palavras. E tu.
A armadilha da imensa sabedoria dos mais velhos.
E abraço o nascer do sol com o teu nome brincando com a rebeldia das ondas.
E sei do amor nesta estrada aberta mais à raiva do que ao sonho.
Navegar.
Abrir contigo as velas deste barco e literalmente esquecer-me desta sociedade codificada na mentira.
Navegar.
Por um minuto que seja.
Por um sorriso que te nasça no seio desta multidão indiferente.
As palavras como facas.
E falei das pedras. Dos rios. Das mulheres. Das tuas mãos a qualquer hora. E por isso respirei a alegria dos jovens animais.
Então o relógio pára. E não só ele.
Abertas todas as interrogações sobre ti.
E todos os rituais.
E quando a cidade perguntou o teu nome apenas respondi que te chamavas homem.
Assim não irão inquisidores ao dicionário saber da tua medida, e o que é mais grave, do teu sabor.
Mas não poderemos esquecer que haverão outras cidades. Outros homens, outras mulheres. E outros velhos e velhas.
E todos eles ao saber de nós gritarão de escândalo e masturbar-se-ão na sua vulnerabilidade de animais às portas do inverno.
E os donos de todas as catedrais continuarão a alimentar-se dos ingénuos, a transformar os glaciares em nojo.
Apesar de tudo aqui estarei.
E a minha cidade não terá norte nem sul, nem mentiras em todas as estátuas.
Todos os textos falarão de amor como de todos os degelos.
Todas as mãos serão possíveis.
E ficarei na planície à tua espera, naturalmente, para haver cidade de habitar.

1976 . Fevereiro

Para Luíza, por uma sexta-feira com pôr-do-sol

Olha, camarada.
Sabes o que ela me deu?
A noção do poema,
o amor sem contrastes violentos.
Talvez por isso
o ter dado a César o que César mereceu
e a mim
o peso da terra.

Dia para Luíza....
Se fosse mágico inventaria a chuva,
os rostos desolados, a grande cidade tristeza.
Assim, deserto,
invento uma paisagem de animais de Verão,
brinco com Chico, Betânia,
adivinho a erva fresca da manhã,
os amantes navegando à contra-luz,
as conversas hábeis que constrois.
Depois, sonho,
rasgo a terra com o teu sorriso-brisa,
e sei-te mulher,
nesse teu jeito de beberes a vida,
com esses olhos,
sàbiamente insubmissos.

Manel (Fev.1976)

sábado, setembro 27, 2008

Goodbye Paul Newman

1925-2008

Foi solidário e podia não ter sido. Viveu fazendo o que gostava. E tinha estes brilhantes olhos azuis. Vai em paz.

terça-feira, setembro 23, 2008

A Carta de Um Homem (Sobre as Mulheres)

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção. Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual. Isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas. As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas..... Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As muito magrinhas que desfilam nas passarelas seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays, e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são muito retas e sem formas, e parecem agredir o corpo maravihoso das mulheres. Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato são equivalentes a mil viagras. A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa... sem graça. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor. As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas. Por que razão as cobrem sempre com calças longas? Para que as confundam connosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras, e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão, e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão. É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulímiaca e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranquila e cheia de saúde. Entendam de uma vez! Procurem agradar a nós, e não só a vocês; porque nunca terão uma referência objectiva, do quanto são lindas e maravilhosas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é simplesmente linda! As jovens são lindas... mas as de 30 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por Karina Zzocco, Eva Longaria, Angelina Jolie ou Demi Moore, somos capazes de atravessar o Atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto, uma mulher de 45, que entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento, ou está se auto-destruindo. Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio, alegres, e que sabem controlar sua natural tendência à culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se sabota e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza. Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol', nem em Spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos. Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto. Tudo junto!

Assinado: UM DESCONHECIDO



P.S.- Obrigada à Inês

AOS bons MOMENTOS

Atascada até ao pescoço na crise dos vigaristas, caloteiros, chantagistas, diria mesmo, inqualificáveis indivíduos que me sairam na rifa, com a alma seca, e não só, não tenho conseguido botar palavra.

É nestas alturas que os amigos do peito estão sempre presentes, nem que seja em pensamento.

Para festejar a saída da crise, aqui vai para todos eles, com uma dedicatória especial para aquela que está perto da fonte.

À nossa.


quarta-feira, setembro 17, 2008

segunda-feira, setembro 15, 2008

LiÇãO dE vIdA




A melhor maneira de se estar borrifando para quem tecla e devia deixar de teclar, para quem se queria que teclasse e não o faz, para quem nunca teclou, para quem já teclou e desistiu, para quem há-de vir a teclar, para todos os teclados, tecladores e afins...




sexta-feira, setembro 12, 2008

Anúncio Classificado



PRECISA-SE URGENTE
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Preciso, querido meu, dum beijo terno.
Com a cor e o sabor que a prosa não contém.
Aceito a título de empréstimo. Devolvo em
dobro, sem contar. E ainda enfeito com
estrelas da madrugada e fitas de luar.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Telas



Foi o que saiu naquele dia em que ganhei coragem para enfrentar a tela pela primeira vez.


Gosto dele porque expressa emoções. E porque foi o primeiro.


Dei-o a quem dele gostou.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Lágrimas do céU

Tinha-te pedido que viesses.

E contigo trouxeste a memória do cheiro a terra molhada, daquele odor quente e húmido da erva cortada e seca pelo estio, do aroma inebriante dos eucaliptos a lembrar que estão ali e do som transportado do passado da gaita de beiços e da roda de amolar.

Foste breve. Ficaram as emoções dos sentidos.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Silêncio (estado de quem se abstém de falar)



Dizer o que se sente. Sentir aquilo que não se diz. Diria que apenas são distintas formas de expressar o sentimento. Não sente mais aquele que clama que aquele que abafa os seus gritos no silêncio.

Porque os desejos, as vontades, serão sempre esses silêncios, os silêncios do espírito.

Não fora a leitura silenciosa, às vezes desfocada dos espelhos da alma, e talvez para sempre ficassem perdidos no vácuo dos nossos medos esses gritos, esses clamores, esses desejos, essas vontades.

Silenciosa. Porque se respeitam os silêncios, porque se querem preservar as dádivas.

sábado, agosto 30, 2008

Ás de Copas


De tão pouco serve a mente sábia
Quando o corpo se quer tão ignorante
Tão indomável tão independente
Espaço de veredas sinuosas
Carentes surdas patéticas
Caminho de sonhos quentes
De memórias difusas incompletas
Que teimam parecer realidades
De hoje de ontem e de sempre
Porque o corpo sabe que a vida não se esquece
Teima em não ouvir tuas verdades
Crueis frias talvez certas
E pede o corpo ao sonho que regresse
Que o deixe viver a gloria embora efémera
De loucuras de amor reinventadas


crOniCas de ViAgem
















A visão de milhares de oliveiras passando a correr pela janela do autocarro dava a ilusão de terras lusas. A Tunísia é o 4º produtor mundial de azeite (atrás da Espanha, Itália e Grécia), produzido pelos 60 milhões de oliveiras que se concentram na zona costeira entre Sousse e Sfax, entendendo-se para o interior até sidi bou Zid .
E são as oliveiras que nos fazem recuar às origens de EL-DJEM. Baptizada de Thysdrus pelos cartagineses, não tardou a juntar-se aos romanos durante a III Guerra Púnica, ganhando estatuto de colónia e, graças ao cultivo das oliveiras, de riqueza e prosperidade. Foi por esta altura construído pelos romanos o anfiteatro que visitámos - já debaixo de um sol escaldante e de um calor abrasador, apesar de o dia ser ainda uma criança -. É uma construção imponente, bem preservada, que me trouxe à memória lembranças da Cidade Eterna, e em cuja arena elíptica se sente um calafrio ao imaginar cenas de terror bestial e absurdo. Providencialmente, e regateando o melhor que pude, comprámos por ali os "lenços" usados como turbante pelas (já poucas) mulheres tunisinas - com carimbo "made in china" (esforçando-se o árabe para me convencer - enquanto me ria a bandeiras despregadas-, de que se não for assim as tunisinas não compram ), e que mais tarde nos foram muito úteis.
Algures , na esplanada do café Flamingo, parámos para refrescar e tentar comer um pastel com recheio de aspecto duvidoso e altamente picante - o pequeno almoço no AL AMINA composto de pão duro e yogurte de banana deixara-nos a meio-pau -. Recebi então a primeira e mais poética de muitas ofertas pela mão da filhota de olhos azuis - vinda de Mouhamed, o nosso guia - : um cavalo árabe.
E foi a partir daqui que a paisagem se transformou radical e progressivamente, cada vez mais seca e árida culminando em Djebel Demer, cadeia montanhosa no corredor do deserto.
Matmata, 600 mts acima do nível do mar, autentica visão lunar, "cidade" irreal de casas escavadas na montanha pelos berberes, faz mais de mil anos, para se protegerem do extremo calor do verão, quiçá apenas um dos seus inimigos.
Talvez os 50º que por ali faziam, tivessem contribuido para a sensação da nossa não-existência, de presença virtual num lugar inexistente.
Valeu o almoço frugal numa dessas "tocas" (um "pastel" de ovo, delicioso, com legumes crus, que recusámos por receio de possíveis diarreias, esparguete com molho irremediavelmente picante, e uns bolinhos de tâmara inesqueciveis) -, acolhedora porque bem mais fresca e pela simpatia de quem nos serviu -, para nos trazer de volta à terra.
Valeu também o dar biberon ao dromedário bébé....(cont.)

sexta-feira, agosto 29, 2008

Em Nome do Amor



..." A vida é uma experiência bela e única que aceitámos vivenciar, porque nada no Universo se faz sem o nosso consentimento. Somos seres livres, com livre arbítrio e, embora não nos lembremos, aceitámos e concordámos vir a este planeta para evoluirmos; aceitámos também passar por certas dificuldades, mas temos capacidades infinitas nas quais temos de acreditar para que elas aconteçam e os milagres se concretizem."...


in "Crianças Índigo e Cristal"

segunda-feira, agosto 25, 2008

crOniCas de ViAgem


Partir, levada pelas asas metálicas rumando a lugares desconhecidos, é uma emoção, uma agitação da mente, do espírito, que continua a inundar o meu ser sempre que parto.
Este destino, no Norte de Africa, proporcionou-me logo à chegada, já noite escura, sensações físicas absolutamente extraordinárias. Imaginei-me, completamente vestida, a ser passada a ferro, a roupa escaldante a colar-se às pernas, às costas, ao peito... a boca aberta engolindo uma golfada de ar quente, pesado e húmido. Não, não foi aterrador foi simplesmente... inesperado e diferente.
Como tão diferente, dos poucos lugares da Terra onde já fui, pode ser a Tunísia.
Os dois jovens guias (Marouen e o "olhos azuis"), simpáticos e afáveis, que seguiram connosco no autocarro - completamente cheio de portugueses - de Tunis até (supostamente) ao nosso destino final por essa noite - KAIROUAN - lá nos tentaram convencer que as 3 horas passariam depressa se dormissemos uma soneca. A primeira surpresa e também a primeira e única sensação se insegurança ocorreram duas horas depois. Inesperadamente (por esta altura apenas seguiam no autocarro eu, a filhota e um casal com um filho) parámos na berma da estrada, no meio do nada e fizeram-nos sair às duas mais as maletas explicando que a partir dali iriamos numa pequena carrinha de 4 lugares, apenas com o motorista, até ao hotel onde dormiriamos essa noite, enquanto se riam, falavam árabe entre eles e nos davam palmadinhas nas costas dizendo "no passa nada", "tout va bien"!!!!
Não sou medrosa. Consigo normalmente gerir bem algum receio legítimo que me assalte, mas confesso que senti um arrepiozito na "espinha", quando nos vi às duas, em plena escuridão, dentro daquela carripana, com um motorista árabe , a caminho dum lugar desconhecido.
Cada vez mais percepciono que falar é quase sempre a atitude certa e assim lá entabulei conversa com o homem, num francês arrancado a ferros, que foi melhorando à medida que percebia que o pobre ainda tinha mais dificuldades que eu em falar a língua de Flaubert.
E foi assim que, sãs e salvas, chegámos à 1,30 h ao hotel de 3 estrelas, mais que cadentes, de seu nome EL AMINA, onde nos esperavam dois tunisinos de ar ensonado. Graças a Maomé um deles lá agarrou nas duas maletas e subiu as escadas até à nossa "habitacion" desta primeira noite (nestes abençoados "hoteis" do sul da Tunísia rampas e elevadores são coisas desconhecidas).
Estávamos por esta altura completamente rotas, anestesiadas pelas emoções, pelo cansaço, pelo calor abrasador e também pelo riso que nos acompanhou do primeiro ao último dia.
Só assim conseguimos desvalorizar completamente o facto de estarem para aí uns 30 graus dentro do quarto (o aposento era do tipo pensão de "meninas" dos anos 60), do aparelho de ar condicionado - que foi ligado à nossa chegada - tentar ingloriamente refrescar um pouco o ambiente e de termos ficado com os pés dentro de um lago de água que escorria por baixo do lavatório (o desgraçado já conhecera melhores dias) enquanto lavávamos os dentes com um resto de água engarrafada - não fosse o diabo tecê-las -.
E foi assim, num sono intermitente e agitado, que terminaram estas primeiras e atribuladas horas em terras de África, até que o som do telefone a despertar nos libertou daquele torpor peganhento às 6,45 h .

SilêncioS



porque há silêncios tão dificeis de interpretar e de aceitar quando substituem as palavras que não foram ditas... porque há palavras que não cabem no silêncio...

terça-feira, agosto 12, 2008

terça-feira, agosto 05, 2008

A Soma Dos Dias




Chá.
Chá Vermelho que retempera. Apesar de tudo... continuarei a beber.

sábado, agosto 02, 2008

Bon Jovi (não resisti à foto)



Always on my mind

Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
I guess I never told you
That I'm so happy that you're mine
Little things I should've said and done
I just never took the time
But you were always on my mind
You were always on my mind

sexta-feira, agosto 01, 2008

hÁ áGUa Em mARTe


Esta coisa das comunicações ao País em pleno Verão, deixam sempre o pessoal um bocado nervoso. Ainda por cima rodeada de mistério, sem conhecimento dos executivos, vá-se lá saber de quais, etc e tal, já não basta as dores de cabeça da malta a pensar como é que vai pagar a semanita de ferias a Palma de Maiorca (tudo incluído), que foi engordar a conta do cartão de crédito, ainda agora mais esta. Será que há mesmo petróleo no Beato? Será desta que vamos ter combustíveis a 50 cts o litro? Ou será o IVA? Deve ser o IVA, não só chegaram a conclusão que têm que anular a brutal descida de 1% como terá que subir mais umas décimas. Mas que ansiedade!!!! Nunca mais chegam as notícias da 20h...


Deve ter sido do stress deixei passar a hora e quando liguei a TV já Sua Excelência tinha iniciado o seu discurso. Fiquei ali pregada, primeiro estática e depois, progressivamente, completamente ... embrutecida. Népias, não percebi népias. Eh pá, o sol que apanhei no Algarve deve-me ter queimado o resto dos neurónios, não percebi patavina da razão para tanto alarido.


Mas hoje respirei de alívio ao ver as entrevistas de rua ao pessoal cá do burgo: - Então ouviu o discurso do Sr. Presidente? - Ouvir....ouvi! E a que conclusão chegou? - Basicamente.... a nenhuma!- Boa tarde! Diga-me percebeu a mensagem transmitida pelo Sr. Presidente? - Sim, -percebi. - E...? -Olhe, é assim, prefiro não responder....- O que achou da mensagem do Sr. Presidente? - E o Sr. o que achou? Talvez me ajude porque fiquei como o outro, a olhar pró palácio! - Afinal talvez ainda haja esperança para mim, o problema talvez não seja dos meus neurónios...


Mas prontos, não vale a pena preocuparmo-nos com coisas importantes como o aquecimento global, com o facto do glaciar Moreno estar a derreter aos bocadinhos, com o facto desta Terra que pensava eu ser o nosso último refúgio, estar a dar o berro, vamos mas é preocuparmo-nos com o Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma dos Açores, até porque afinal há água em Marte e com a nossa prática em emigrar não tarda que montemos lá uma rolote de cachorros, para mostrar aos marcianos o que é bom prá tosse.


Estamos safos!!!!



U2 - KitE

Dedicada ao Tiago Pires



segunda-feira, julho 28, 2008

EspiritualidadeS


"Quando alguém se cruza no nosso caminho, traz sempre uma mensagem para nós. Encontros fortuitos são coisa que não existe. Mas o modo como respondemos a esses encontros determina se estamos à altura de recebermos a mensagem."



in "Profecia Celestina"

domingo, julho 27, 2008

exPLodE cORaçAO




Cá está. É sempre tempo de mudar de idéias,de opiniões, de dar segundas oportunidades.

sexta-feira, julho 18, 2008

pRAia mARia lUisA




Olá meu espaço, que saudades de estar por aqui. Sabes que isto de férias de praia e pc de empréstimo, não é fácil. Hoje fiquei umas horitas sozinha. Acho que já precisava. Prescindi voluntariamente da praia matinal, em favor deste tempinho a sós com os meus pensamentos. Está imenso calor e estar aqui na semiobscuridade - a luz lá fora é tão brilhante que o céu parece branco - escrevinhando ao acaso, é tão bom - talvez melhor? - como mergulhar na pequena ondulação que restou do levante, o mesmo que nos brindou com águas quentes e noites cálidas. Estão noites de luar de lua cheia, e a "minha praia " fica linda banhada pela sua luz leitosa. É com ela, a minha amiga de tantas noites , que consigo falar sem palavras . A quem peço ajuda para perceber e aceitar este sentimento manso e triste de solidão, que aparece de rompante, que teima em ficar, que me faz sentir sòzinha no universo. É a ela que falo dos meus anseios, dos desassossegos da minha alma, dos sentimentos que me rebentam o peito, pedindo para serem libertos, aceites, partilhados. Estou a reler a "Profecia" (não foi certamente coincidencia estar ali bem na minha frente no escaparate da livraria por onde me passeei antes de vir). Escancaro a minha alma para que as energias cósmicas me inundem. Deito-me nas antigas pedras do mar e deixo que elas façam parte de mim. E eu delas.

quinta-feira, julho 10, 2008

O Cortejo Ingénuo dos Nossos Sonhos




Não desenhamos uma imagem ilusória de nós próprios, mas inúmeras imagens, das quais muitas são apenas esboços, e que o espírito repele com embaraço, mesmo quando porventura haja colaborado, ele próprio, na sua formação.

Qualquer livro, qualquer conversa, podem fazê-las surgir. Renovadas por cada paixão nova, mudam com os nossos mais recentes prazeres e os nossos últimos desgostos. São contudo bastante fortes para deixarem em nós lembranças secretas, que crescem até formarem um dos elementos mais importantes da nossa vida: - a consciência que temos de nós mesmos, tão velada, tão oposta a toda a razão, que o próprio esforço do espírito para a captar, a faz anular-se.

Nada de definido, nem que nos permita definir-nos; uma espécie de potência latente...como se houvesse apenas faltado a ocasião para cumprirmos no mundo real os gestos dos nossos sonhos; conservamos a impressão confusa, não de os ter realizado, mas de termos sido capazes de os realizar. Sentimos esta potência em nós, como o atleta conhece a sua força sem pensar nela. Actores miseráveis que já não querem deixar os seus papéis gloriosos, somos, para nós mesmos, seres nos quais dorme o cortejo ingénuo das possibilidades das nossas acções e dos nossos sonhos.

André Malraux, in 'A Tentação do Ocidente'




segunda-feira, julho 07, 2008

Para quê preocupar-me com algumas rugaS ???


SÓ PRECISO DE ENCONTRAR O AMIGO CERTO !
AQUELE QUE APENAS VEJA A MINHA BELEZA INTERIOR! LOOOOL

domingo, julho 06, 2008

Pôr-do Sol


Partir do nada e criar qualquer coisa que sabemos que vai estar ali para gerações vindouras, pode e deve deixar-nos imbuídos de um sentimento de orgulho.
Foi esse sentimento de obra feita que deixei reentrar em mim, que deixei que alagasse a minha alma expulsando dela pensamentos derrotistas, sentimentos de amargura e de perda. Nós somos natureza, em nós nada se perde, só temos que dar um tempo para que aquilo que foi mau se transforme em bom, para que a nossa memória retenha os momentos positivos, deixando que os outros, os que queremos esquecer, se esfumem no tempo.

Voltei a ver-te, pedaço de terra ,tal como te vi da primeira vez, chorando de abandono, pedindo que alguém cuidasse de ti, te livrasse das ervas daninhas, te desse de comer e de beber, em troca de promessas de abundância.

Fui buscar a água às entranhas da terra e assim te dei de beber. Lavrei-te e estrumei-te e assim te dei de comer. Ofereci-te as sementes e tu cumpriste as promessas de fartura e de multiplicação.

Cuidei da tua vinha secular, como se nunca tivesse feito outra coisa na vida, e ela recompensou-me com vindimas abundantes, que ajudei a transformar em vinho.

E para poder cuidar de ti, pedaço de terra fértil, ajudei a construir a casa e dela fiz um lar. E voltei a limpar-te dos entulhos que não faziam parte de ti e criei os jardins, semeei relva, plantei flores, arbustos e árvores e tudo agradeceste e fizeste crescer. E em troca duma batata me davas vinte, e dum grão de milho várias maçarocas, e davas-me searas de aveia e de centeio, e fazias da minha horta o meu orgulho.

Os choupos que te ofereci, pequeninos como crianças, transformaram-se em gigantes que tocam o céu, embalando os ouvidos de quem os escuta com o marulhar das suas folhas agitadas pela brisa e com o chilrear das aves que nelas procuram abrigo. E as rosas banhadas pelo sol quente do ribatejo perfumam o ar com o seu aroma inebriante.

Foi tudo isto e a ti que hoje deixei - por muito ou pouco tempo, não sei -, entregue a outras mãos.

Uma mescla de sentimentos contraditórios, de apego e de aversão, de encanto e de desencanto, salpicados pela solidão, fizeram com que partisse. Trouxe nas minhas mãos as marcas dos anos em que de ti cuidei.

Deixei-te com promessas de iguais desvelos, mas de certeza com menos amor. Perdoa-me por isso.

Nem sei se algum dia para ti voltarei, pedaço de terra, mas nunca vou esquecer tudo o que me deste, tudo o que me ensinaste.