domingo, setembro 28, 2008

Para ti, palavras de antes e de hoje

Também o tempo.
E o mar invadindo a praia. Saltando sobre a falésia. Namorando descaradamente a noite.
Claro que te desejei.
No fim.
E a floresta que o meu desejo construiu existe num estranho e longínquo país sem grandes ambições mas com árvores-de-mar em todos os jardins.
E estou cheia de ti.
E interrogo-me sobre a razão desta invasão. E percorro todos os caminhos por nós habitados numa fracção de noite. Atrevo-me mesmo em todos os fascínios. Ignoro todas as tabuadas que nos deram. Aos costumes digo merda sem ambiguidades.
Assim o mundo.
A continuação dos dias nevoeiro nesta vila meridional. O saber de ti como pão para a boca. E a invasão do medo. O despertar de sentimentos há muito esquecidos na minha quotidiana permanência.
E só agora reparo como tudo é estranho.
É uma paisagem de animais marinhos petrificados no meio de todos os naufrágios sob um sol ardente de desejo.
É a pedra que queria remover.
É o ter-te e não saber-te muito embora todas as cidades estejam abertas ao amor.
É o inventar de palavras novas. O perceber de todas as conversas. O esquecimento de mim. Dos outros. O nascer da água em todos os oásis do meu corpo.
E por isso quero agora um tempo sem dividendos.
Assim a noite, o silêncio aberto pela tua ausência ou pelas verdades que me deixas.
Assim o estar sòzinha como uma Deusa e como uma Deusa reconstruir-te enquanto o mar permanece no fundo da minha história.
Assim todas as vitórias e derrotas rebentando agora na minha memória de mulher-animal adulto.
E são mais as derrotas. As ausências. Apesar do sorriso. Da poesia rasgando a indiferença.
As palavras. E tu.
A armadilha da imensa sabedoria dos mais velhos.
E abraço o nascer do sol com o teu nome brincando com a rebeldia das ondas.
E sei do amor nesta estrada aberta mais à raiva do que ao sonho.
Navegar.
Abrir contigo as velas deste barco e literalmente esquecer-me desta sociedade codificada na mentira.
Navegar.
Por um minuto que seja.
Por um sorriso que te nasça no seio desta multidão indiferente.
As palavras como facas.
E falei das pedras. Dos rios. Das mulheres. Das tuas mãos a qualquer hora. E por isso respirei a alegria dos jovens animais.
Então o relógio pára. E não só ele.
Abertas todas as interrogações sobre ti.
E todos os rituais.
E quando a cidade perguntou o teu nome apenas respondi que te chamavas homem.
Assim não irão inquisidores ao dicionário saber da tua medida, e o que é mais grave, do teu sabor.
Mas não poderemos esquecer que haverão outras cidades. Outros homens, outras mulheres. E outros velhos e velhas.
E todos eles ao saber de nós gritarão de escândalo e masturbar-se-ão na sua vulnerabilidade de animais às portas do inverno.
E os donos de todas as catedrais continuarão a alimentar-se dos ingénuos, a transformar os glaciares em nojo.
Apesar de tudo aqui estarei.
E a minha cidade não terá norte nem sul, nem mentiras em todas as estátuas.
Todos os textos falarão de amor como de todos os degelos.
Todas as mãos serão possíveis.
E ficarei na planície à tua espera, naturalmente, para haver cidade de habitar.

1976 . Fevereiro

Para Luíza, por uma sexta-feira com pôr-do-sol

Olha, camarada.
Sabes o que ela me deu?
A noção do poema,
o amor sem contrastes violentos.
Talvez por isso
o ter dado a César o que César mereceu
e a mim
o peso da terra.

Dia para Luíza....
Se fosse mágico inventaria a chuva,
os rostos desolados, a grande cidade tristeza.
Assim, deserto,
invento uma paisagem de animais de Verão,
brinco com Chico, Betânia,
adivinho a erva fresca da manhã,
os amantes navegando à contra-luz,
as conversas hábeis que constrois.
Depois, sonho,
rasgo a terra com o teu sorriso-brisa,
e sei-te mulher,
nesse teu jeito de beberes a vida,
com esses olhos,
sàbiamente insubmissos.

Manel (Fev.1976)

sábado, setembro 27, 2008

Goodbye Paul Newman

1925-2008

Foi solidário e podia não ter sido. Viveu fazendo o que gostava. E tinha estes brilhantes olhos azuis. Vai em paz.

terça-feira, setembro 23, 2008

A Carta de Um Homem (Sobre as Mulheres)

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção. Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual. Isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas. As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas..... Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As muito magrinhas que desfilam nas passarelas seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays, e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são muito retas e sem formas, e parecem agredir o corpo maravihoso das mulheres. Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato são equivalentes a mil viagras. A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa... sem graça. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor. As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas. Por que razão as cobrem sempre com calças longas? Para que as confundam connosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras, e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão, e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão. É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulímiaca e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranquila e cheia de saúde. Entendam de uma vez! Procurem agradar a nós, e não só a vocês; porque nunca terão uma referência objectiva, do quanto são lindas e maravilhosas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é simplesmente linda! As jovens são lindas... mas as de 30 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por Karina Zzocco, Eva Longaria, Angelina Jolie ou Demi Moore, somos capazes de atravessar o Atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto, uma mulher de 45, que entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento, ou está se auto-destruindo. Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio, alegres, e que sabem controlar sua natural tendência à culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se sabota e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza. Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol', nem em Spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos. Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto. Tudo junto!

Assinado: UM DESCONHECIDO



P.S.- Obrigada à Inês

AOS bons MOMENTOS

Atascada até ao pescoço na crise dos vigaristas, caloteiros, chantagistas, diria mesmo, inqualificáveis indivíduos que me sairam na rifa, com a alma seca, e não só, não tenho conseguido botar palavra.

É nestas alturas que os amigos do peito estão sempre presentes, nem que seja em pensamento.

Para festejar a saída da crise, aqui vai para todos eles, com uma dedicatória especial para aquela que está perto da fonte.

À nossa.


quarta-feira, setembro 17, 2008

segunda-feira, setembro 15, 2008

LiÇãO dE vIdA




A melhor maneira de se estar borrifando para quem tecla e devia deixar de teclar, para quem se queria que teclasse e não o faz, para quem nunca teclou, para quem já teclou e desistiu, para quem há-de vir a teclar, para todos os teclados, tecladores e afins...




sexta-feira, setembro 12, 2008

Anúncio Classificado



PRECISA-SE URGENTE
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Preciso, querido meu, dum beijo terno.
Com a cor e o sabor que a prosa não contém.
Aceito a título de empréstimo. Devolvo em
dobro, sem contar. E ainda enfeito com
estrelas da madrugada e fitas de luar.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Telas



Foi o que saiu naquele dia em que ganhei coragem para enfrentar a tela pela primeira vez.


Gosto dele porque expressa emoções. E porque foi o primeiro.


Dei-o a quem dele gostou.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Lágrimas do céU

Tinha-te pedido que viesses.

E contigo trouxeste a memória do cheiro a terra molhada, daquele odor quente e húmido da erva cortada e seca pelo estio, do aroma inebriante dos eucaliptos a lembrar que estão ali e do som transportado do passado da gaita de beiços e da roda de amolar.

Foste breve. Ficaram as emoções dos sentidos.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Silêncio (estado de quem se abstém de falar)



Dizer o que se sente. Sentir aquilo que não se diz. Diria que apenas são distintas formas de expressar o sentimento. Não sente mais aquele que clama que aquele que abafa os seus gritos no silêncio.

Porque os desejos, as vontades, serão sempre esses silêncios, os silêncios do espírito.

Não fora a leitura silenciosa, às vezes desfocada dos espelhos da alma, e talvez para sempre ficassem perdidos no vácuo dos nossos medos esses gritos, esses clamores, esses desejos, essas vontades.

Silenciosa. Porque se respeitam os silêncios, porque se querem preservar as dádivas.

sábado, agosto 30, 2008

Ás de Copas


De tão pouco serve a mente sábia
Quando o corpo se quer tão ignorante
Tão indomável tão independente
Espaço de veredas sinuosas
Carentes surdas patéticas
Caminho de sonhos quentes
De memórias difusas incompletas
Que teimam parecer realidades
De hoje de ontem e de sempre
Porque o corpo sabe que a vida não se esquece
Teima em não ouvir tuas verdades
Crueis frias talvez certas
E pede o corpo ao sonho que regresse
Que o deixe viver a gloria embora efémera
De loucuras de amor reinventadas


crOniCas de ViAgem
















A visão de milhares de oliveiras passando a correr pela janela do autocarro dava a ilusão de terras lusas. A Tunísia é o 4º produtor mundial de azeite (atrás da Espanha, Itália e Grécia), produzido pelos 60 milhões de oliveiras que se concentram na zona costeira entre Sousse e Sfax, entendendo-se para o interior até sidi bou Zid .
E são as oliveiras que nos fazem recuar às origens de EL-DJEM. Baptizada de Thysdrus pelos cartagineses, não tardou a juntar-se aos romanos durante a III Guerra Púnica, ganhando estatuto de colónia e, graças ao cultivo das oliveiras, de riqueza e prosperidade. Foi por esta altura construído pelos romanos o anfiteatro que visitámos - já debaixo de um sol escaldante e de um calor abrasador, apesar de o dia ser ainda uma criança -. É uma construção imponente, bem preservada, que me trouxe à memória lembranças da Cidade Eterna, e em cuja arena elíptica se sente um calafrio ao imaginar cenas de terror bestial e absurdo. Providencialmente, e regateando o melhor que pude, comprámos por ali os "lenços" usados como turbante pelas (já poucas) mulheres tunisinas - com carimbo "made in china" (esforçando-se o árabe para me convencer - enquanto me ria a bandeiras despregadas-, de que se não for assim as tunisinas não compram ), e que mais tarde nos foram muito úteis.
Algures , na esplanada do café Flamingo, parámos para refrescar e tentar comer um pastel com recheio de aspecto duvidoso e altamente picante - o pequeno almoço no AL AMINA composto de pão duro e yogurte de banana deixara-nos a meio-pau -. Recebi então a primeira e mais poética de muitas ofertas pela mão da filhota de olhos azuis - vinda de Mouhamed, o nosso guia - : um cavalo árabe.
E foi a partir daqui que a paisagem se transformou radical e progressivamente, cada vez mais seca e árida culminando em Djebel Demer, cadeia montanhosa no corredor do deserto.
Matmata, 600 mts acima do nível do mar, autentica visão lunar, "cidade" irreal de casas escavadas na montanha pelos berberes, faz mais de mil anos, para se protegerem do extremo calor do verão, quiçá apenas um dos seus inimigos.
Talvez os 50º que por ali faziam, tivessem contribuido para a sensação da nossa não-existência, de presença virtual num lugar inexistente.
Valeu o almoço frugal numa dessas "tocas" (um "pastel" de ovo, delicioso, com legumes crus, que recusámos por receio de possíveis diarreias, esparguete com molho irremediavelmente picante, e uns bolinhos de tâmara inesqueciveis) -, acolhedora porque bem mais fresca e pela simpatia de quem nos serviu -, para nos trazer de volta à terra.
Valeu também o dar biberon ao dromedário bébé....(cont.)

sexta-feira, agosto 29, 2008

Em Nome do Amor



..." A vida é uma experiência bela e única que aceitámos vivenciar, porque nada no Universo se faz sem o nosso consentimento. Somos seres livres, com livre arbítrio e, embora não nos lembremos, aceitámos e concordámos vir a este planeta para evoluirmos; aceitámos também passar por certas dificuldades, mas temos capacidades infinitas nas quais temos de acreditar para que elas aconteçam e os milagres se concretizem."...


in "Crianças Índigo e Cristal"

segunda-feira, agosto 25, 2008

crOniCas de ViAgem


Partir, levada pelas asas metálicas rumando a lugares desconhecidos, é uma emoção, uma agitação da mente, do espírito, que continua a inundar o meu ser sempre que parto.
Este destino, no Norte de Africa, proporcionou-me logo à chegada, já noite escura, sensações físicas absolutamente extraordinárias. Imaginei-me, completamente vestida, a ser passada a ferro, a roupa escaldante a colar-se às pernas, às costas, ao peito... a boca aberta engolindo uma golfada de ar quente, pesado e húmido. Não, não foi aterrador foi simplesmente... inesperado e diferente.
Como tão diferente, dos poucos lugares da Terra onde já fui, pode ser a Tunísia.
Os dois jovens guias (Marouen e o "olhos azuis"), simpáticos e afáveis, que seguiram connosco no autocarro - completamente cheio de portugueses - de Tunis até (supostamente) ao nosso destino final por essa noite - KAIROUAN - lá nos tentaram convencer que as 3 horas passariam depressa se dormissemos uma soneca. A primeira surpresa e também a primeira e única sensação se insegurança ocorreram duas horas depois. Inesperadamente (por esta altura apenas seguiam no autocarro eu, a filhota e um casal com um filho) parámos na berma da estrada, no meio do nada e fizeram-nos sair às duas mais as maletas explicando que a partir dali iriamos numa pequena carrinha de 4 lugares, apenas com o motorista, até ao hotel onde dormiriamos essa noite, enquanto se riam, falavam árabe entre eles e nos davam palmadinhas nas costas dizendo "no passa nada", "tout va bien"!!!!
Não sou medrosa. Consigo normalmente gerir bem algum receio legítimo que me assalte, mas confesso que senti um arrepiozito na "espinha", quando nos vi às duas, em plena escuridão, dentro daquela carripana, com um motorista árabe , a caminho dum lugar desconhecido.
Cada vez mais percepciono que falar é quase sempre a atitude certa e assim lá entabulei conversa com o homem, num francês arrancado a ferros, que foi melhorando à medida que percebia que o pobre ainda tinha mais dificuldades que eu em falar a língua de Flaubert.
E foi assim que, sãs e salvas, chegámos à 1,30 h ao hotel de 3 estrelas, mais que cadentes, de seu nome EL AMINA, onde nos esperavam dois tunisinos de ar ensonado. Graças a Maomé um deles lá agarrou nas duas maletas e subiu as escadas até à nossa "habitacion" desta primeira noite (nestes abençoados "hoteis" do sul da Tunísia rampas e elevadores são coisas desconhecidas).
Estávamos por esta altura completamente rotas, anestesiadas pelas emoções, pelo cansaço, pelo calor abrasador e também pelo riso que nos acompanhou do primeiro ao último dia.
Só assim conseguimos desvalorizar completamente o facto de estarem para aí uns 30 graus dentro do quarto (o aposento era do tipo pensão de "meninas" dos anos 60), do aparelho de ar condicionado - que foi ligado à nossa chegada - tentar ingloriamente refrescar um pouco o ambiente e de termos ficado com os pés dentro de um lago de água que escorria por baixo do lavatório (o desgraçado já conhecera melhores dias) enquanto lavávamos os dentes com um resto de água engarrafada - não fosse o diabo tecê-las -.
E foi assim, num sono intermitente e agitado, que terminaram estas primeiras e atribuladas horas em terras de África, até que o som do telefone a despertar nos libertou daquele torpor peganhento às 6,45 h .

SilêncioS



porque há silêncios tão dificeis de interpretar e de aceitar quando substituem as palavras que não foram ditas... porque há palavras que não cabem no silêncio...

terça-feira, agosto 12, 2008

terça-feira, agosto 05, 2008

A Soma Dos Dias




Chá.
Chá Vermelho que retempera. Apesar de tudo... continuarei a beber.

sábado, agosto 02, 2008

Bon Jovi (não resisti à foto)



Always on my mind

Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
I guess I never told you
That I'm so happy that you're mine
Little things I should've said and done
I just never took the time
But you were always on my mind
You were always on my mind

sexta-feira, agosto 01, 2008

hÁ áGUa Em mARTe


Esta coisa das comunicações ao País em pleno Verão, deixam sempre o pessoal um bocado nervoso. Ainda por cima rodeada de mistério, sem conhecimento dos executivos, vá-se lá saber de quais, etc e tal, já não basta as dores de cabeça da malta a pensar como é que vai pagar a semanita de ferias a Palma de Maiorca (tudo incluído), que foi engordar a conta do cartão de crédito, ainda agora mais esta. Será que há mesmo petróleo no Beato? Será desta que vamos ter combustíveis a 50 cts o litro? Ou será o IVA? Deve ser o IVA, não só chegaram a conclusão que têm que anular a brutal descida de 1% como terá que subir mais umas décimas. Mas que ansiedade!!!! Nunca mais chegam as notícias da 20h...


Deve ter sido do stress deixei passar a hora e quando liguei a TV já Sua Excelência tinha iniciado o seu discurso. Fiquei ali pregada, primeiro estática e depois, progressivamente, completamente ... embrutecida. Népias, não percebi népias. Eh pá, o sol que apanhei no Algarve deve-me ter queimado o resto dos neurónios, não percebi patavina da razão para tanto alarido.


Mas hoje respirei de alívio ao ver as entrevistas de rua ao pessoal cá do burgo: - Então ouviu o discurso do Sr. Presidente? - Ouvir....ouvi! E a que conclusão chegou? - Basicamente.... a nenhuma!- Boa tarde! Diga-me percebeu a mensagem transmitida pelo Sr. Presidente? - Sim, -percebi. - E...? -Olhe, é assim, prefiro não responder....- O que achou da mensagem do Sr. Presidente? - E o Sr. o que achou? Talvez me ajude porque fiquei como o outro, a olhar pró palácio! - Afinal talvez ainda haja esperança para mim, o problema talvez não seja dos meus neurónios...


Mas prontos, não vale a pena preocuparmo-nos com coisas importantes como o aquecimento global, com o facto do glaciar Moreno estar a derreter aos bocadinhos, com o facto desta Terra que pensava eu ser o nosso último refúgio, estar a dar o berro, vamos mas é preocuparmo-nos com o Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma dos Açores, até porque afinal há água em Marte e com a nossa prática em emigrar não tarda que montemos lá uma rolote de cachorros, para mostrar aos marcianos o que é bom prá tosse.


Estamos safos!!!!



U2 - KitE

Dedicada ao Tiago Pires



segunda-feira, julho 28, 2008

EspiritualidadeS


"Quando alguém se cruza no nosso caminho, traz sempre uma mensagem para nós. Encontros fortuitos são coisa que não existe. Mas o modo como respondemos a esses encontros determina se estamos à altura de recebermos a mensagem."



in "Profecia Celestina"

domingo, julho 27, 2008

exPLodE cORaçAO




Cá está. É sempre tempo de mudar de idéias,de opiniões, de dar segundas oportunidades.

sexta-feira, julho 18, 2008

pRAia mARia lUisA




Olá meu espaço, que saudades de estar por aqui. Sabes que isto de férias de praia e pc de empréstimo, não é fácil. Hoje fiquei umas horitas sozinha. Acho que já precisava. Prescindi voluntariamente da praia matinal, em favor deste tempinho a sós com os meus pensamentos. Está imenso calor e estar aqui na semiobscuridade - a luz lá fora é tão brilhante que o céu parece branco - escrevinhando ao acaso, é tão bom - talvez melhor? - como mergulhar na pequena ondulação que restou do levante, o mesmo que nos brindou com águas quentes e noites cálidas. Estão noites de luar de lua cheia, e a "minha praia " fica linda banhada pela sua luz leitosa. É com ela, a minha amiga de tantas noites , que consigo falar sem palavras . A quem peço ajuda para perceber e aceitar este sentimento manso e triste de solidão, que aparece de rompante, que teima em ficar, que me faz sentir sòzinha no universo. É a ela que falo dos meus anseios, dos desassossegos da minha alma, dos sentimentos que me rebentam o peito, pedindo para serem libertos, aceites, partilhados. Estou a reler a "Profecia" (não foi certamente coincidencia estar ali bem na minha frente no escaparate da livraria por onde me passeei antes de vir). Escancaro a minha alma para que as energias cósmicas me inundem. Deito-me nas antigas pedras do mar e deixo que elas façam parte de mim. E eu delas.

quinta-feira, julho 10, 2008

O Cortejo Ingénuo dos Nossos Sonhos




Não desenhamos uma imagem ilusória de nós próprios, mas inúmeras imagens, das quais muitas são apenas esboços, e que o espírito repele com embaraço, mesmo quando porventura haja colaborado, ele próprio, na sua formação.

Qualquer livro, qualquer conversa, podem fazê-las surgir. Renovadas por cada paixão nova, mudam com os nossos mais recentes prazeres e os nossos últimos desgostos. São contudo bastante fortes para deixarem em nós lembranças secretas, que crescem até formarem um dos elementos mais importantes da nossa vida: - a consciência que temos de nós mesmos, tão velada, tão oposta a toda a razão, que o próprio esforço do espírito para a captar, a faz anular-se.

Nada de definido, nem que nos permita definir-nos; uma espécie de potência latente...como se houvesse apenas faltado a ocasião para cumprirmos no mundo real os gestos dos nossos sonhos; conservamos a impressão confusa, não de os ter realizado, mas de termos sido capazes de os realizar. Sentimos esta potência em nós, como o atleta conhece a sua força sem pensar nela. Actores miseráveis que já não querem deixar os seus papéis gloriosos, somos, para nós mesmos, seres nos quais dorme o cortejo ingénuo das possibilidades das nossas acções e dos nossos sonhos.

André Malraux, in 'A Tentação do Ocidente'




segunda-feira, julho 07, 2008

Para quê preocupar-me com algumas rugaS ???


SÓ PRECISO DE ENCONTRAR O AMIGO CERTO !
AQUELE QUE APENAS VEJA A MINHA BELEZA INTERIOR! LOOOOL

domingo, julho 06, 2008

Pôr-do Sol


Partir do nada e criar qualquer coisa que sabemos que vai estar ali para gerações vindouras, pode e deve deixar-nos imbuídos de um sentimento de orgulho.
Foi esse sentimento de obra feita que deixei reentrar em mim, que deixei que alagasse a minha alma expulsando dela pensamentos derrotistas, sentimentos de amargura e de perda. Nós somos natureza, em nós nada se perde, só temos que dar um tempo para que aquilo que foi mau se transforme em bom, para que a nossa memória retenha os momentos positivos, deixando que os outros, os que queremos esquecer, se esfumem no tempo.

Voltei a ver-te, pedaço de terra ,tal como te vi da primeira vez, chorando de abandono, pedindo que alguém cuidasse de ti, te livrasse das ervas daninhas, te desse de comer e de beber, em troca de promessas de abundância.

Fui buscar a água às entranhas da terra e assim te dei de beber. Lavrei-te e estrumei-te e assim te dei de comer. Ofereci-te as sementes e tu cumpriste as promessas de fartura e de multiplicação.

Cuidei da tua vinha secular, como se nunca tivesse feito outra coisa na vida, e ela recompensou-me com vindimas abundantes, que ajudei a transformar em vinho.

E para poder cuidar de ti, pedaço de terra fértil, ajudei a construir a casa e dela fiz um lar. E voltei a limpar-te dos entulhos que não faziam parte de ti e criei os jardins, semeei relva, plantei flores, arbustos e árvores e tudo agradeceste e fizeste crescer. E em troca duma batata me davas vinte, e dum grão de milho várias maçarocas, e davas-me searas de aveia e de centeio, e fazias da minha horta o meu orgulho.

Os choupos que te ofereci, pequeninos como crianças, transformaram-se em gigantes que tocam o céu, embalando os ouvidos de quem os escuta com o marulhar das suas folhas agitadas pela brisa e com o chilrear das aves que nelas procuram abrigo. E as rosas banhadas pelo sol quente do ribatejo perfumam o ar com o seu aroma inebriante.

Foi tudo isto e a ti que hoje deixei - por muito ou pouco tempo, não sei -, entregue a outras mãos.

Uma mescla de sentimentos contraditórios, de apego e de aversão, de encanto e de desencanto, salpicados pela solidão, fizeram com que partisse. Trouxe nas minhas mãos as marcas dos anos em que de ti cuidei.

Deixei-te com promessas de iguais desvelos, mas de certeza com menos amor. Perdoa-me por isso.

Nem sei se algum dia para ti voltarei, pedaço de terra, mas nunca vou esquecer tudo o que me deste, tudo o que me ensinaste.




quinta-feira, julho 03, 2008

hoje estou triste

...
Hoje caiu-me em cima, o peso negativo do passado.
Tive que ir onde não queria ter ido, tive que fazer coisas que não queria ter feito, tive que estar onde não me apetecia ter estado.

Deu-me a canseira de ser corajosa, alegre, optimista, de esquecer o que não deve ser lembrado e chorei uma última vez pelo tempo perdido a amar quem não merecia ter sido amado, pelo tempo perdido a transformar em realidades sonhos que acarinhei como se fossem meus.

Amanhã nascerá um novo dia.

Voltarei a sorrir e a esperar.
...

segunda-feira, junho 30, 2008

domingo, junho 29, 2008

Amizade


Olha meu Amigo, eu sei.
Mas perder a tua Amizade, dói.
Se calhar tens razão, mas todos nós erramos.
Muitas vezes.
E outras tantas vezes vale a pena repensar.
Vale a pena perceber.
Vale a pena dar novas oportunidades.
Vale a pena reconciliar.
E assim se preserva a Amizade.
Porque na verdade todos nós erramos.
Muitas vezes por amor, outras por indiferença, algumas por incerteza.
Talvez o Tempo, na sua eterna sabedoria, te faça regressar.

"Quando a voz de um Amigo se cala, o nosso coração continua a ouvir o seu coração, porque na Amizade todos os desejos, ideais e esperanças, nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa."

sábado, junho 28, 2008

CastanholaS



Sempre tive uma fixação por castanholas. Não sei explicar porquê. Quando era miúda e ia passar férias à Beira Alta, à aldeia raiana do meu pai, havia um contrabandista que todas as semanas atravessava a fronteira a salto trazendo, mais ou menos a pedido dos habitantes da aldeia, toda a espécie de produtos alimentares e não só. Lembro-me de ter pedido à minha mãe para ele me trazer umas castanholas e lembro também o esforço inglório, diga-se de passagem, que fiz durante meses para tentar "castanholar". E com esse insucesso ficou por aí o meu interesse pelo flamenco, estilo musical fortemente influenciado pela cultura cigana.
Muitas "vidas" depois, numa viagem de trabalho, voltei a encontrar-me com as castanholas numas Cuevas em Madrid. Lembro-me de ter ficado na altura de certo modo impressionada pela voz rouca e expressiva da "cantadeira", que transmitia sentimentos fortes de desespero, luta e esperança.
Não me fascinou.
Resolvi ontem aceitar o convite de amigas e fui assistir ao "Tiempo Muerto", do intitulado "enfant terrible" do flamenco espanhol, Rafael Amargo, cujo vedetismo não me impressionou de nenhum modo especial.
Gostei da veterana "cantadeira" do grupo e das suas castanholas (o velho sonho) e também do sapateado protagonizado por duas das bailarinas.
Continuo a não me sentir fascinada.


terça-feira, junho 24, 2008

aMOr E sEXo

RITA LEE

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão,
Sexo é pagão,
Amor é latifúndio
Sexo é invasão...
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é Carnaval.
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...
Amor sem sexo, é amizade
Sexo sem amor, é vontade
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois
Sexo vem dos outros, e vai embora
Amor vem de nós, e demora
Amor é isso,
Sexo é aquilo,
e coisa e tal...
e tal e coisa...
Ai o amor....

segunda-feira, junho 23, 2008

domingo, junho 22, 2008

PAIXÃO


Não me deixes Paixão
Porque sem ti morro ao invés de viver
Porque só tu me fazes acordar a cantar
És tu que fazes meus olhos brilhar
Quem põe as folhas do choupo a dançar
Que me lembra que é bom sorrir
Não me deixes Paixão
Sem ti o mar deixa o seu encanto partir
Sem ti não há estrelas nem luar
Sem ti como dar esperança a quem já a perdeu
Como vou sorrir a quem já não sorri
Tu és a minha musa a minha inspiração
Ensinas-me o esquecimento e o perdão
Sem ti Paixão sou nada
Tu és arte és cor és aroma és coração
Viver sem ti é viver em vão
Não me deixes Paixão

quinta-feira, junho 19, 2008

Adorava Que Ganhassemos Este Jogo


Quando comecei a ver o jogo já os alemães tinham metido uma lá dentro. Estava a pôr o jantar ao lume, pimba, outro. !!!oh que desilusão. O Scolari está com cara de leite azedo. Vamos ver se os rapazes se esmeram e mostram o que valem...
Gooooooooooooooooooooolo
40 minutos - Nuno Gomes - e vai 1
Já é uma esperança mas...ainda falta um para igualar. Vamos ver como vai ser a 2ª parte...
87 minutos - Postiga - e vão 2
Vá la só mais um!!!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! BIG SHIT
.
Afinal ainda cá voltei. Vendo a coisa pelo lado positivo, ficaram-se pelos quartos, que segundo uma determinada óptica...são as melhores divisões da casa Loooool.

sexta-feira, junho 13, 2008

Horóscopo, Europeu e Geneve


Eu sei que aquela treta dos horóscopos que se publicam em tudo o que é jornal, revista ou planfleto publicitário não passa disso mesmo, uma treta, até porque no mesmo dia tanto podem vaticinar-nos que vamos ser ricos, como vamos ficar na maior das misérias, que vamos encontrar o príncipe encantado como iremos ficar para tias o resto da vida, mas a verdade é que, sem que ninguém confesse, é raro aquele ou aquela que não dá uma espreitadela.
Eu vou dando quando calha.
E às vezes, quando aparece alguma coisa que me convém, guardo-a como certeza, como naquele dia já há uns anitos atrás, em que para o meu signo vaticinavam "Todos os anos deverá visitar um local onde nunca tenha estado".
Dito e feito.
A partir daí, cumpro religiosamente esse mandamento, não vá acontecer-me alguma coisa de ruim, que por lapso de escrita tivesse falhado no dito horóscopo, caso não cumpra o predestinado.
Como a Patagónia vai tendo que esperar, cá vim até Geneve, em tempos de Europeu.
Tirando os simples factos de não se ver lixo no chão (se deitares a beatita pela janela fora e os "flics" toparem, fazem-te sair do carro para a apanhar), não se ouvir buzinas (senão levas com uma multa), ninguém ultrapassar os limites de velocidade (há tantos radares que isso se torna impossível sem receber o "bilhetinho" em casa), parecia que não tinha saído de Lisboa, tantas eram as janelas enfeitadas com bandeiras verde -rubras.
Embora Lisboa não tenha um lago imenso a quem abraçar, não esteja cercada de montanhas salpicadas de neve em finais de Primavera, nem seja tão verde que nos esquecemos que as as outras cores existem, não será esta cidade que me fará esquecer-te.
Para ti voltarei de boa vontade no próximo Domingo.

quarta-feira, junho 11, 2008

A CRISE


O governo de José Sócrates deve estar neste momento a pôr velas aos santinhos da sua devoção, para que a nossa selecção ganhe à Republica Checa, este segundo jogo do europeu.

Se assim for o pessoal sempre fica um bocado anestesiado e talvez esqueça por algum tempo o preço dos combustíveis.

Com os portugueses a suar as estopinhas, à chapa de sol, em tudo o que é estação de serviço por esse país fora, a pensar que vem aí o fim-de-semana prolongado e não vão ter os pó-pós abastecidos para as voltinhas saloias, com as prateleiras dos supermercados a ficarem meio vazias, bem podem os senhores governantes pôr as barbas de molho e chegar a um acordo com a ANTRAM, e não só,de modo a desbloquear a paralização dos camionistas.

É bom que não esqueçam o buzinão na Ponte 25 de Abril, em Junho de 1994, e o que acabou por acontecer, à época, ao governo de Cavaco Silva .

PORTUGAL!!! PORTUGAL!!!!!



Aos oito minutos - DECO - vai o 1º e golo de Portugal
Aos 62 minutos - CRISTIANO RONALDO - e vão 2
Aos 90 minutos - QUARESMA - E VÃO 3

domingo, junho 08, 2008

gAL cOSTA




Eu sei que vou-te amar
Por toda a minha vida eu vou-te amar
E em cada despedida eu vou-te amar
Desesperadamente eu sei que vou-te amar

Ribeira d'Ilhas


Trouxe comigo o cheiro a maresia, e também um bocadito de sol a mais, que isto de andar com as moçoilas, e para mais com uma surfista, assim obriga.

Valeu tudo, até o chapéu do chinês que se desintegrou serviu para dar umas gargalhadas.

Obrigada pela companhia, lindonas.

sábado, junho 07, 2008

U2 - YOU

VIVA PORTUGAL





61 MINUTOS DE JOGO - PEPE, marcou golo por todos os portugueses
92 MINUTOS - RAUL MEIRELES - e vão 2

sexta-feira, junho 06, 2008

SapiênciA


INSEGURANÇAS


Naquele exacto minuto, em que cada um de nós sai daquela banheirinha de água morna, onde vivemos nove meses, ouvindo o bater do coração de quem nos gerou...
Naquele primeiro minuto em que engolimos a primeira golfada de ar e nos sentimos envolvidos por um mundo hostil, barulhento, tremendamente luminoso...
Naquele primeiro minuto, começou a nossa insegurança.
E vai ser assim, dia após dia, para o resto das nossas vidas.
Insegurança no primeiro dia de infantário, em que nos forçam a largar a mão protectora, e nos deixam orfãos, agarrados ao ursinho de peluche.
Insegurança no primeiro dia de escola, insegurança quando, acabados de ser crianças, já temos que decidir qual o nosso projecto de vida.
Insegurança quando enfrentamos a primeira entrevista para o primeiro emprego.
Insegurança nas nossas capacidades que ainda não foram postas à prova.
Insegurança porque somos gordos, insegurança porque somos demasiado magros, insegurança porque temos namorado - e será que vai dar certo? - insegurança porque não temos - será que o erro é meu?
Insegurança porque estivemos doentes - será que estamos curados?
Insegurança porque achamos que precisamos de alguém do nosso lado, para podermos ser alguém.
Mas com o tempo vamos percebendo que para sermos felizes com alguém, temos que concluir que não precisamos desse alguém.
Percebemos que dia a dia vamos vencendo um desafio e que o segredo é conhecermos os nossos limites.
Percebemos que a chave é nunca desistir de lutar.
Que é cobardia enterrar a cabeça na areia.
Que a chave é acreditar em nós próprios.
É acreditar que as nossas capacidades estão sempre além daquilo que os outros vêm em nós.
É acreditar que, se em algum momento da nossa vida alguma coisa correu mal iremos aceitar, perdoar e aprender com o nosso erro.
É acreditar que por muito inseguros que nos sintamos, haverá sempre alguém do nosso lado mais inseguro do que nós e que podemos esquecer-nos e ajudar esse alguém.
É acreditar que não faz mal sentirmos insegurança, e que é bom partilhá-la.
É acreditar que apenas existem duas coisas seguras na nossa vida: o nascimento e a morte.

Entre esses dois momentos passa-se a história da nossa vida, que será seguramente a que resultar das inseguranças que conseguirmos ultrapassar.

quinta-feira, junho 05, 2008

quarta-feira, junho 04, 2008

estados de Alma


hoje é quarta-feira, e o vento substituiu a brisa matinal e as folhas, já adultas, do choupo dançam enlouquecidas e empurram para dentro do quarto reflexos de luz e de azul do céu...
- Anda dançar, hoje é quarta-feira
mas o corpo estendido, quebrado pela insónia, não responde
e pela janela entreaberta entra o vento de rompante...
- Dança connosco, hoje é quarta-feira
e a voz sem sair do corpo,disse...
- Diz-me vento, como é que um corpo dança, quando a alma não consegue dançar
e a luz saiu, e atrás foi o azul do céu e por último partiu o vento sussurrando...
- Mas...hoje é quarta-feira

terça-feira, junho 03, 2008

TatuagenS


Não é muito vulgar encontrar cinquentões com brincos pendurados no nariz, argolas no umbigo ou bolas atravessando a lingua de lado a lado. Também não se vêm por aí cotas com cortes de cabelo tipo índio moicano, pintados com as cores do arco-iris.
Já no que se refere às tatuagens, a coisa muda de figura.
Quando chega o calor, e o pessoal começa a pôr o corpinho ao léu, não é raro verem-se, eles e elas, já entradotes, exibindo a sua tatuagenzita, mais ou menos discreta, em sítios estrategicamente escolhidos.
Confesso que ver corpinhos tatuados de alto a baixo, tipo maçon no topo da hierarquia, me causa um certo incómodo, mas uma tatuagenzinha, ali bem na zona lombar, não sei não...
Para quem não tem horror às agulhas....claro.

yOU kILL mE wITH your sMILE

domingo, junho 01, 2008

Para o Álvaro Ruas

Vá-se lá saber porquê, hoje assaltaste o meu pensamento.

E vi novamente o teu rosto, sempre plácido e sorridente, vi o teu cabelo forte, grisalho, quase branco, a tua figura enorme e inconfundível e ouvi as tuas graçolas que conseguiam tornar comestíveis as intragáveis manhãs de segunda-feira.

Lá estavas sentado à secretária, naquela sala do 1º andar do velho Beco, soprando as asas que as formigas tinham deixado para trás durante a noite, e gracejando que para proteínas já chegavam as do galão e da sandes de fiambre, trazidas pelo César.

Vejo-te de lápis na mão, misturando os traços a que tão bem davas vida (a propósito de tudo e de quase nada), com ETA's e Deadweight's.

Tiveste a coragem, que muitos gostariam de ter tido, de trocar a segurança por um sonho. E transformaste esse sonho em telas.

E elas povoam as nossas casas, e tu continuas nelas, e assim vamos matando a saudade.

Até um dia Amigo.

Dedicada à Salo Que Não Foi Hoje Ao Rock In Rio (poR EnGaNo LooL)

BON JOVI - ALWAYS

sábado, maio 31, 2008

No Comments

ZombariaS


EÇA DE QUEIROZ
(Póvoa do Varzim 1845-1900 Paris)




"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão"

ANTÓNIO ALEIXO



Poeta Popular (1899-1949)

Forçam-me, mesmo velhote,
de vez em quando a beijar
a mão que brande o chicote,
que tanto me faz penar

Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então,
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são

Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço

O mundo só pode ser
melhor do que até aqui,
quando consigas fazer
mais p'los outros que por ti!

Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes

sexta-feira, maio 30, 2008

Bombeiros de Mafamude

Foi a pedido loool. Mas como gosto do Ricardo, foi sem dor.

Simplesmente Simply Red

God bless you

quinta-feira, maio 29, 2008

DERBY


Estádio Nacional - Meados da década de 50
Jogava-se naquele domingo mais uma final da Taça de Portugal, entre os rivais de sempre, Benfica-Sporting. Desde manhã cedo que se viam chegar magotes de pessoas, famílias inteiras carregadas de cestas atafulhadas de pastelinhos de bacalhau, tachos de arroz de tomate, embrulhados em papel de jornal para se manterem quentinhos, o indispensável garrafão de vinho e também, que não se faziam piqueniques todos os dias, um ou outro pão-de-ló que as avós faziam de véspera. A grande maioria tinha partido bem cedo da Praça do Comércio, e feito a viagem até à Cruz Quebrada no Eléctrico 15B, aberto de alto a baixo ,de bancos corridos, com estores às risquinhas, deixando entrar a brisa do rio e o calor dos primeiros raios de sol daquela manhã lindissima de Primavera.
Respirava-se um ar de festa nas matas do Estádio Nacional. A criançada aproveitava o dia inesperado ao ar livre para correr e subir às árvores, enquanto as mães estendiam as mantas, onde depois punham a toalha e os pratos de esmalte, gritando à pequenada que estava na hora de almoçar, que o jogo iria começar em breve, que os homens, ansiosos pela jogatana, já tinham abalado para encontrar o melhor lugar, mesmo à beira da ribanceira fronteira ao estádio, de onde esperavam poder assistir ao derby sem pagar bilhete, que de qualquer forma não poderiam pagar sem cortar no bife que já só comiam uma vez por festa, que os tempos à época eram difíceis.
Por esta altura, ainda a atmosfera era de bucólico sossego, embora lá para a frente alguns mais excitados já tivessem começado a envolver-se em despiques de vocabulário menos próprio para ouvidos mais sensíveis.
Em algumas das mantas que tinham servido de mesa, dormiam crianças esgotadas pela correria e pelo ar puro, enquanto mães e avós faziam renda conversando provavelmente sobre as coisas da vida.
Foi então que, de repente, estalou a confusão e o pânico, com a GNR a cavalo a investir contra o povoléu desprevenido que via o jogo à revelia, atravessando a mata a galope, distribuindo cacetada, as mães gritando pelas crianças e arrastando-as pela ribanceira abaixo enquanto os mais velhos puxavam as mantas onde se misturavam restos de arroz de tomate com pedaços de pão-de-ló, ao mesmo tempo que tentavam com os olhos encontrar o resto das famílias, com quem iriam regressar a casa, provavelmente discutindo, com as mulheres amaldiçoando a hora em que se tinham deixado levar pela conversa envenenada do passeio às matas do Estádio Nacional.

ImAgInE

....You may say I'm a dreamer....
E o que é a vida sem sonhos???
Obrigada ao anónimo pela memória.

quarta-feira, maio 28, 2008

HOLOCAUSTO




...Esta semana o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares, porque "ofendia" a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu...
Com o Irão, entre outros, a sustentar que "o Holocausto é um mito", torna-se imperativo lembrar o que disse o General Dwight D. Eisenhower (supremo comandante das Forças Aliadas), quando encontrou as vítimas dos campos de concentração nazis:
"Que se tenha o máximo de documentação- façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum momento ao longo da História, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu."

ISTO é QUE é CULTURA geral !!!

Não queira ser inculta/o !!!!! Pergunte à mulher mais próxima de si.

terça-feira, maio 27, 2008

sábado, maio 24, 2008

FoToS dE ViAgEm - IrLaNdA

Giant's Causeway
Irlanda do Norte

A absoluta e maravilhosa invulgaridade deste local e o primor de regularidade das suas colunas de basalto fizeram desta "Calçada do Gigante" tema de muitas lendas.
A minha preferida:O gigante Finn MacCool (chefe dos Fianna, grupo especial de tropas, que defendia a Irlanda de inimigos estrangeiros) construiu este caminho sobre o mar, para raptar a sua amada, que vivia na Ilha de Staffa, na Escócia, onde existem colunas idênticas.


Montanha Sagrada de St. Patrick
República da Irlanda
Esta montanha de quartzito, brilhante em dias de sol, tem uma história de adoração pagã desde 3000 a.C.. Diz-se que em 441 d.C. St. Patrick (o santo nacional), passou 40 dias na montanha a jejuar e orar pelos Irlandeses.
Pelos vistos, valeu a pena. A Irlanda deixou-nos a cauda da Europa e vai de vento em popa.

O Glorioso


Mesmo não sendo já sofredora nem espectadora assídua dos jogos do meu clube, ele será sempre o SLB do meu coração, e malgrado as "águas turvas" onde há muito tempo se move, "mordo" a quem diga mal dele.
Ouvi há pouco nas notícias a confirmação de que já tem novo treinador.
Quique Flores, jovem, "boa pinta" (que os olhos também gostam de apreciar), discreto nas suas promessas, gostei da sua frase: "Vamos trabalhar com a paciência necessária para conseguir o máximo".
Parafraseando uma amiga, "a paciência requer muita prática".
Vamos ter paciência e esperar que desta vez os ventos sejam favoráveis.

sexta-feira, maio 23, 2008

quarta-feira, maio 21, 2008

Para Um Bravo Que Também É Leal


Mãos

Com as mãos se faz a paz e com as mãos se faz a guerra.
As mesmas mãos que nos aguardam, que nos amparam ao nascer,
Mãos que protegem, que aconchegam ao peito
Mãos de mulher, de homem, de criança
Mãos que tocam, que envolvem, que confortam
Mãos que salvam
Mãos que forçam um coração a bater
Mãos que dão a vida
Mãos que tiram a vida, mãos que forçam a vida a parar
Mãos na nuca, procurando um abraço
Mãos quentes, que percorrem as veredas de um corpo fazendo-o estremecer
Mãos frias, vazias de esperança
Mãos de criança, brincando com a areia
Mãos de amigo, em hora de incerteza
Mãos pretas, brancas, amarelas
Mãos rugosas, curtidas pelo mar
Mãos calejadas de trabalhar a terra
Mãos de bébé, macias como pétalas de rosa
Mãos que forçam um sorriso, mãos que enxugam uma lágrima
Mãos de ontem, mãos de hoje
Vamos andar pela vida de mãos dadas, unir as nossas mãos, olhar para o céu
E sorrir...

Bowie - Terráqueo Ou Nem Tanto?

segunda-feira, maio 19, 2008

LISBOA-Assim se Chama a Minha Cidade


Olisipo, assim a apelidaram quando nasceu de uma "citânia", localizada a norte do actual Castelo de S. Jorge, sítio encantado, deixado ali no alto da colina para que, como que suspensos nas suas muralhas, nos seja permitido enamorar por Lisboa.
Como é linda esta minha cidade, que vejo e revejo, sem nunca me cansar, há mais de meio século.
Quando a olho com olhos de menina, lembro-a a acordar com os seus pregões matinais: "Quem quer figos, quem quer almoçar", "Ó viva da costa", "Olhá fava rica".
Lembro as colchas nas janelas e as pétalas soltas pelo chão, em dias de procissão da Senhora da Saúde.
Lembro a Mãe dizer: Vai chover!, sempre que a flauta de cinco tubos, soprada pelo "amolador à porta", se fazia ouvir lá no alto do sexto andar do prédio pombalino, onde morávamos.
E lembro os cheiros, lembro o aroma das castanhas assadas "quentes e boas" apregoadas "é croa a dúzia", lembro o odor a maresia trazido pela brisa, como se o rio abraçasse o mar e os dois enlaçados nos entrassem pelas águas furtadas(furtadas a quem? perguntava quando explicavam que furtar era o mesmo que roubar), lembro a miscelânea de cheiros do Mercado da Ribeira, ora delicados e doces no jardim encantado das flores, ora fortes e a lembrar o mar, nas bancadas do peixe acabado de pescar. Lembro o cheiro a fruta madura, lembro as cerejinhas que a Dª Rosa sempre metia na minha mão pequenina para "entreter até chegar a casa".
Lembro ainda o "eléctrico operário", com bilhete de ida e volta a oito tostões, que me levava, já mocinha, ao Liceu Rainha Dª Leonor na Junqueira, sempre de alfinete na lapela (posto pela minha Avó), que servia para desencorajar os encostos dos mais atrevidos.
Lembro-te minha cidade.
Troquei-te há uns anos por um qualquer suburbio igual a tantos outros, mas voltei e espero ficar. Espero continuar a ver-te, todos os dias, até os meus olhos verem.
E continuar a amar-te.

AdOrO a MoDeStIa DeStE hOmEm

Palavras para quê? É treinador de futebol, português, de seu nome José Mourinho.


domingo, maio 18, 2008

Assim Dizia o Poeta




Quem já passou por essa vida e não viveu

Pode ser mais, mas sabe menos do que eu

Porque a vida só se dá pra quem se deu

Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu

Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não

Não há mal pior do que a descrença

Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão

Pra quê somar se a gente pode dividir

Eu francamente já não quero nem saber

De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão

Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.



Vinicius de Morais